Estereótipo

Mestre em Sociologia (UnB, 2014)
Graduado em Ciência Política (UnB, 2010)

Os estereótipos são pressupostos ou rótulos sociais, criados sobre características de grupos para moldar padrões sociais. Um estereótipo se refere a certo conjunto de características que são vinculadas a todos os membros de um determinado grupo social. É, portanto, uma generalização e uma simplificação que relaciona atributos gerais a características coletivas como idade, raça, sexo, sexualidade, profissão, nacionalidade, região de origem, preferências musicais, comportamentos, etc. Os estereótipos funcionam também como modelos que pressupõem e impõem padrões sociais esperados para um indivíduo vinculado à determinada coletividade.

Os estereótipos são reproduzidos culturalmente e interferem (grade parte das vezes inconscientemente) nas relações sociais. Atualmente, os meios de comunicação e informação possuem um importante papel de reforçar (ou desconstruir) os estereótipos.

De acordo com o sociólogo Erving Goffman, o estereótipo se relaciona com o estigma social nos processos de construção dos significados através da interação. A sociedade institui como as pessoas devem ser, e torna esse dever como algo natural e normal. Um estranho em meio a essa naturalidade não passa despercebido, pois lhe são conferidos atributos que o tornam diferente, podendo resultar na marginalização de indivíduos dentro de uma comunidade.

Estereótipo e preconceito

Os estereótipos funcionam como uma espécie de rótulo ou carimbo que marca um indivíduo pertencente à determinada coletividade estigmatizada a partir do pré-julgamento sobre suas características, em detrimento de suas verdadeiras qualidades individuais. Grande parte das vezes, os estereótipos carregam aspectos negativos, errôneos e simplistas, e por isso formam a base de crenças preconceituosas. Estereótipos e preconceitos podem se expressar através de ironia, piada, antipatia, humilhação, insultos verbais ou gestuais, chegando inclusive a reações mais hostis e violentas. É comum um estereótipo orientar a primeira impressão de alguém sobre o outro, evitando o contato entre os indivíduos, de maneira que a experiência de interação social se restrinja ao preconceito previamente estabelecido, reproduzindo-o e perpetuando o estigma e a marginalização de certos indivíduos e grupos.

Exemplos de estereótipos

Um exemplo comum é o estereótipo de beleza, que estabelece qualidades físicas consideradas bonitas e atraentes – e por consequência, o que se considera feio e repugnante. Em geral, o estereótipo relaciona o padrão de beleza com características da classe dominante de uma época, no caso de Ocidente, aproxima-se do perfil das pessoas brancas. No mundo globalizado, o estereótipo padroniza os corpos e pode ocasionar uma série de obsessões e frustrações individuais.

Outro exemplo de estereótipo é aquele que determina os papeis, características e comportamentos de gênero. Desde cedo, os estereótipos são reproduzidos na diferença de criação entre meninos e meninas, de forma que tais padrões impostos nos acompanham durante toda a vida.

Alguns estereótipos evidentes estão também relacionados com etnias, nacionalidades ou localidades. Podemos pensar nos estereótipos formados em relação a nordestinos ou sulistas, árabes e judeus, portugueses e argentinos, ou mesmo os estereótipos criados acerca de nós brasileiros. Vale a pena ressaltar que estereótipos étnicos estão e estiveram na raiz da intolerância política e de guerras, como na imagem que os nazistas tinham acerca dos judeus como justificativa para o holocausto.

Outros estereótipos que se encontram muito presentes na sociedade brasileira e que carregam uma grande carga de preconceito dizem respeito aos homossexuais, aos negros, aos indígenas, entre tantos outros.

Referências bibliográficas:

GOFFMAN, Erving. Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. Rio de Janeiro: Zahar, 1980.

Arquivado em: Sociologia