Socialismo fabiano

Mestre em Sociologia (UnB, 2014)
Graduado em Ciência Política (UnB, 2010)

O Socialismo Fabiano, Fabianismo ou Sociedade Fabiana é um movimento político e ideológico de caráter democrático, socialista reformista e não-marxista. Criado na Inglaterra no ano de 1883 por um grupo de intelectuais, a Sociedade Fabiana é uma associação privada que afirma contribuir para a reconstrução da sociedade de acordo com as mais altas possibilidades morais. A associação assumiu o nome de Sociedade Fabiana tendo como inspiração a estratégia militar do cônsul romano Fábio Máximo, que consistia em vencer suas batalhas gradualmente, sem um ataque direto.

A doutrina do Fabianismo deriva principalmente de duas correntes teóricas. A primeira delas é o marxismo, que contava com ampla influência entre os movimentos sócio-políticos da época e impactou no pensamento inicial dos jovens fundadores da Sociedade Fabiana. Entretanto, os pensadores fabianos acabaram se afastando do marxismo principalmente por acreditarem que o Estado não é um organismo de classe a ser tomado, mas um aparelho a ser usado para promover gradualmente o bem-estar social. Enquanto a abordagem de tipo marxista se centra na estrutura econômica, a atenção do Fabianismo está na cultura política. O Socialismo Fabiano se propõe ser uma fase da evolução da democracia, que de fato nunca se realizaria plenamente, preocupando-se mais em tornar eficientes as instituições existentes do que modificá-las radicalmente.

A sua segunda influência teórica foi o pensamento liberal inglês, em especial John Stuart Mill, de quem o Fabianismo herdou o apreço pelo estado democrático e a atenção dedicada à cultura política. Nesse sentido, o Fabianismo se tornou sinônimo de um “socialismo britânico moderado”. Seus principais pontos sistematizados no livro Fabian essays in socialism, de 1910. Suas principais propostas estão relacionadas à promoção da reforma social, através da geração de emprego a partir de obras públicas, de uma legislação social que ampare os trabalhadores, de um sistema fiscal redistributivo, da estatização de certos setores da economia que de outra maneira cairia no monopólio privado, da redução da renda fundiária e da emancipação política das mulheres (que na época não podiam votar ou se eleger).

Apesar de vislumbrarem o socialismo num futuro distante, os fabianos se diferem dos marxistas e dos social-democratas clássicos porque não ambicionam derrubar o Estado como os primeiros, nem ocupar seus principais cargos como os segundos, mas sim atingir de maneira indireta a política através da mudança na cultura política da população. Nesse sentido, sua principal estratégia é chamada de permeation e consiste no convencimento das pessoas sobre a importância das reformas sociais através da argumentação e propaganda política. Seu público não está nas massas, mas sim entre as elites políticas, intelectuais e culturais.

Alguns membros da Sociedade Fabiana participaram da fundação da London School of Economics and Political Science em 1895 e colaboraram para a criação do Partido Trabalhista britânico em 1900. Ainda hoje, a produção acadêmica da Sociedade Fabiana é parte da formação teórica do partido trabalhista.

Apesar de ter perdido grande parte da sua influência política, a ideia de Socialismo Fabiano tem sido resgatada de maneira conspiratória por certos grupos de direita no Brasil, para criticar a social democracia e acusar figuras ligadas principalmente ao PSDB de serem de esquerda e estarem tramando uma revolução socialista no nosso país. Entretanto, tais argumentos não encontram respaldo entre os cientistas políticos e mais confundem que esclarecem as características do sistema político brasileiro.

Referências bibliográficas:

BOBBIO, Norberto. Dicionário de Política. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1998.

SHAW, Bernard (org). Fabian Essays in Socialism. Boston: The Ball Publishing Co., 1911.

http://www.fabians.org.uk

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