Liberalismo

Mestre em Sociologia (UnB, 2014)
Graduado em Ciência Política (UnB, 2010)

Liberalismo é uma teoria política e social que enfatiza fundamentalmente os valores individuais da liberdade e da igualdade. Para os liberais, todo indivíduo têm direitos humanos inatos. O governo tem o dever de respeitar tais direitos e deve atuar principalmente para resolver disputas quando os interesses dos indivíduos se chocam. De acordo com a filosofia política liberal, a sociedade e o governo devem proteger e promover a liberdade individual, em vez de impor constrangimentos; a pluralidade e a diversidade devem ser encorajadas e a sociedade deve ser igual e justa na distribuição de oportunidades e recursos. O liberalismo é, portanto, uma teoria individualista, pois entende que o indivíduo tem prioridade sobre o coletivo.

As teorias liberais clássicas surgiram influenciadas pelo iluminismo europeu e revoluções burguesas, a partir do século XVII, para se oporem às formas de Estado absoluto. Elas defendem as instituições representativas e a autonomia da sociedade civil, do espaço econômico (mercado) e cultural (opinião pública) frente ao Estado. Nesse sentido, a história do liberalismo está intimamente ligada ao próprio desenvolvimento da democracia nos países do ocidente. Os sistemas democráticos assumem as premissas básicas do Estado liberal, no qual sua principal função seria o de garantir os direitos do indivíduo contra o autoritarismo político e, para atingir esta finalidade, exige formas, mais ou menos amplas, de representação política.

Entre os liberais, porém, não há consenso acerca da amplitude desejável da participação política dos cidadãos. Enquanto pensadores liberais como Locke, Montesquieu e Constant afirmavam que a participação dos cidadãos através das eleições e atuando em cargos representativos seria a melhor forma de liberdade política, Tocqueville defendia que a verdadeira ética liberal somente poderia se concretizar na atividade política ativa e no associativismo.

Na história do pensamento ocidental, surgiram vários tipos de liberalismo. Em geral, os teóricos se diferenciavam por dar maior ênfase na liberdade ou na igualdade, ou divergiam ainda na forma com que propunham reconciliá-los. O liberalismo clássico tende a insistir que os direitos civis são fundamentais para os seres humanos, enquanto o liberalismo igualitário contemporâneo concentra-se mais na igualdade e argumenta que o governo ou a sociedade devem aumentar seu alcance de intervenção em áreas como saúde, educação e bem-estar social.

Historicamente, os pensadores liberais defenderam a liberdade econômica contra o Estado: o Estado não deveria se intrometer no livre jogo do mercado, organizado por contratos entre particulares. Defendia-se um Estado pouco interventor, que não interferisse na resolução dos conflitos entre empregados e empregadores, entre as diferentes empresas, deixando a livre concorrência recompensar o melhor ator econômico. A liberdade econômica foi sintetizada na frase de “laissez faire, laissez passer”, que em francês significa “deixe fazer, deixe passar”. Na segunda metade do século XX, o liberalismo econômico clássico inspirou o surgimento de teorias conhecidas como neoliberalismo, que defendem uma diminuição drástica do Estado em favor do livre mercado. As principais críticas que recebem os liberais estão justamente na sua associação com o livre mercado e o capitalismo.

Alguns notáveis ​​teóricos vinculados ao liberalismo clássico foram John Locke, John Stuart Mill, Isaiah Berlin, Montesquieu, Voltaire, Benjamin Constant, Immanuel Kant, Adam Smith e Alexis de Tocqueville.

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Bibliografia:

BOBBIO, Norberto. Dicionário de Política. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1998.

BUNNIN, Nicholas e YU, Jiyuan. The Blackwell Dictionary of Western Philosophy. Blackwell publishing, 2004.

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