O Pix é o sistema de pagamentos instantâneos criado e operado pelo Banco Central do Brasil. Ele permite transferir dinheiro e pagar contas em poucos segundos, a qualquer hora e em qualquer dia, inclusive fins de semana e feriados, usando apenas uma "chave" como CPF, número de celular ou e-mail. Lançado em novembro de 2020, tornou-se o meio de pagamento mais usado do país e, em 2026, entrou no centro de uma disputa comercial com os Estados Unidos.
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Como funciona o Pix
Antes do Pix, transferir dinheiro entre bancos diferentes exigia uma TED ou um DOC, que podiam ter tarifa e só eram processados em dias úteis. O boleto, por sua vez, levava até três dias para compensar. O Pix eliminou essas esperas: o dinheiro sai de uma conta e chega à outra em, no máximo, alguns segundos.

Logotipo do Pix. Imagem: Banco Central do Brasil / Domínio público
Para receber, basta cadastrar uma chave Pix, um apelido que identifica a conta. Ela pode ser o CPF ou CNPJ, o número do celular, o e-mail ou uma chave aleatória, formada por letras e números gerados pelo sistema. Quem paga também pode ler um QR Code, código de barras bidimensional exibido no caixa da loja ou na tela de um aplicativo, ou usar o recurso "copia e cola".
Por trás disso estão duas peças operadas pelo Banco Central: o Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), que liquida as transações, isto é, efetiva a transferência de recursos entre as instituições; e o Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT), banco de dados que liga cada chave à conta correspondente.
Gratuidade e participantes
Para pessoas físicas, enviar e receber Pix é gratuito na grande maioria das situações. Empresas podem ser cobradas pelos bancos ao receber pagamentos, mas em geral a tarifa é menor do que a dos cartões. A adesão é obrigatória para bancos e instituições de pagamento com mais de 500 mil contas, o que inclui bancos digitais e fintechs.
Crescimento e números
A adoção foi rápida. Pequenos comerciantes, vendedores ambulantes e prestadores de serviço passaram a exibir a chave Pix em cartazes, e o sistema ajudou a incluir no mundo digital pessoas que não tinham cartão de crédito.
Em 4 de setembro de 2026, o sistema bateu o recorde diário de 318.073.816 transações liquidadas, que movimentaram R$ 186,89 bilhões, segundo dados do BC divulgados pelo jornal Valor Econômico. De acordo com levantamento do BC divulgado em 27 de outubro de 2026, no primeiro semestre do ano o Pix respondeu por 55,2% das transações de pagamento do país, com 44 bilhões de operações, crescimento de 19,4% em relação ao mesmo período de 2025.
Novas funcionalidades
Desde o lançamento, o Banco Central acrescentou recursos ao sistema. Entre os principais estão:
- Pix Saque e Pix Troco: permitem sacar dinheiro em lojas e caixas eletrônicos usando o Pix;
- Pix Agendado e Pix Automático: este último, lançado em 2025, autoriza cobranças recorrentes, como contas de luz e mensalidades;
- Pix por aproximação: pagamento encostando o celular na maquininha, como se faz com cartões;
- Mecanismo Especial de Devolução (MED): procedimento que permite pedir a devolução de valores em casos de golpe ou falha operacional.
Em outubro de 2026, o BC definiu que ofertas de crédito associadas ao Pix, como o pagamento parcelado, dependerão de autorização prévia do cliente, segundo o g1.
Segurança e golpes
A popularidade do Pix também atraiu criminosos. Os golpes mais comuns não exploram falhas técnicas do sistema, mas enganam a vítima para que ela mesma faça a transferência, por meio de mensagens falsas, perfis clonados no WhatsApp ou falsas centrais de atendimento. Para reduzir os riscos, o BC impôs limites de valor no período noturno, que podem ser ajustados pelo usuário, e criou o MED.
O Pix e os Estados Unidos
O sucesso do Pix reduziu a participação de empresas que lucram com tarifas de pagamento, como as bandeiras de cartão, muitas delas americanas. Em julho de 2025, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) abriu uma investigação com base na Seção 301, lei que permite retaliar práticas comerciais consideradas injustas. Entre os pontos questionados estavam os serviços de pagamento eletrônico, com críticas ao fato de o Banco Central ser ao mesmo tempo regulador e operador do Pix.
Em 15 de julho de 2026, o USTR anunciou a ação final: uma tarifa de 25% sobre a maior parte das importações vindas do Brasil, em vigor desde 22 de julho, motivada também por outros temas, como etanol, propriedade intelectual e desmatamento. O governo brasileiro defende o Pix como infraestrutura pública e gratuita. Em reportagem de 29 de outubro de 2026, o g1 explicou que, além da disputa econômica, o debate envolve questões ideológicas e estratégicas, já que o sistema é visto como alternativa às redes financeiras tradicionais.
Referências
- Como o PIX mudou o caminho do dinheiro no Brasil e por que isso incomoda Donald Trump? – g1, 29/10/2026
- Oferta de crédito no PIX dependerá de autorização prévia do cliente, define Banco Central – g1, 26/10/2026
- Pix – Banco Central do Brasil
- Pix registra recorde diário de transações liquidadas – Valor Econômico, 05/09/2026
- BC: Pix responde por 55,2% das transações de pagamentos do 1º semestre – Valor Econômico, 27/10/2026
- USTR Section 301 Action on Brazil's Unreasonable Acts, Policies, and Practices – USTR
Texto originalmente publicado em https://www.infoescola.com/tecnologia/pix/