Arte no Neolítico

Por Ana Lucia Santana
O período neolítico, também conhecido por Idade da Pedra Polida (aproximadamente entre 12000 a.C. e 4000 a.C.), por conta do uso de ferramentas produzidas com pedras lascadas e polidas, marcou o aparecimento da agricultura e, conseqüentemente, do sedentarismo. Ao retirar seus alimentos do solo, os homens sentem a necessidade de fixar-se na terra, construindo casas e, assim, constituindo-se nos primeiros arquitetos da história da humanidade. Esse avanço histórico e econômico do ser das cavernas leva os historiadores a chamar essa época de Revolução Neolítica ou Revolução Agrária, um momento de transição para a História, uma vez que esta era termina justamente com o surgimento da escrita.

Esse desenvolvimento marcante da humanidade propicia o nascimento de instituições como a família, e em seu seio a divisão do trabalho. Com os rituais religiosos substituindo a magia, a constatação de que forças sobrenaturais regem o comportamento da natureza, a percepção de que as mudanças climáticas influem no cultivo da terra, o homem institui os cultos, a adoração aos ídolos, amuletos e símbolos sagrados, que podem ser invocados nos momentos mais difíceis. Assim, os homens assumem as funções mágicas e sacerdotais – arte sagrada - e as mulheres as tarefas artesanais, ou arte profana.

Erguem-se neste período os monumentos megalíticos, construídos sobre blocos de pedra monumentais e verticais – do grego mega, megalos, grande, e lithos, pedra -, com fins simbólicos e religiosos, mas principalmente funerários. Um exemplo desta construção é o Santuário de Stonehenge, na Inglaterra, uma das primeiras obras arquitetônicas da história – um imenso círculo de pedras, com dois outros círculos interiores a ele, voltado para o ponto onde nasce o sol no solstício de verão. Provavelmente era um local onde se cultuava o sol.

Surge também na era neolítica a produção do fogo, da cerâmica, a fiação, a tecelagem, uma arte que evolui para parâmetros geométricos, contrastando com o naturalismo realista do Paleolítico. Na criação das formas, o artista opta pelo abstracionismo, pois os seus sentidos não precisam mais se concentrar na caça, podem assim se voltar para as imagens representadas em sua mente, ou seja, para o abstrato, o racional, produzindo um estilo não mais figurativo, mas mais condizente com o fruto de suas reflexões. Afinal, ele agora reserva seus momentos de repouso para as atividades artísticas.

Os temas das representações artísticas também não são os mesmos. Ao contrário do homem do Paleolítico, que expressava nas paredes das cavernas suas preocupações com a sobrevivência, ou seja, a caça, o artista neolítico, que começa a se organizar socialmente, expressa sua vivência inicial do coletivo, seus primeiros passos no convívio com o outro. Esta arte tem a marca das comunidades camponesas, de seu tradicionalismo, suas convenções, seu tempo, que é o dos ciclos da Natureza, portanto do próprio trabalho agrícola, intrinsecamente dependente dos movimentos da terra.

Fontes:
http://www.historiadaarte.com.br/linha/prehistoria.html
http://www.eba.ufmg.br/alunos/kurtnavigator/arteartesanato/artetrabalho.html