Júlio Verne

Por Ana Lucia Santana
O escritor Júlio Verne nasceu na cidade de Nantes, na França, no dia oito de fevereiro de 1828, com o nome de Jules Gabriel Verne Allote. Primogênito entre os cinco filhos do advogado Pierre Verne e de Sophie Allote de la Fuÿe, membro de distinta família burguesa, ele cresceu junto aos irmãos Paul, Anna, Mathilde e Marie, à margem do porto e das docas do Atlântico. Neste recanto chegavam e partiam diversas embarcações, inclusive navios negreiros, trazendo em suas bagagens histórias e aromas de mundos desconhecidos, os quais marcaram profundamente a obra do autor.

Apesar dos esforços paternos para transformá-lo em advogado, Júlio logo cedo revela inclinações literárias. Aproveitando sua estadia em Paris, com o objetivo de se graduar em Direito, passou a escrever pequenas peças de teatro e livretos operísticos. Sem o auxílio do pai, buscou o sustento financeiro como corretor de ações, quando conheceu sua futura esposa, Honorine de Viane Morel, viúva e mãe de duas filhas. Eles contraíram matrimônio em 1857, e desta união nasceu seu filho Michel Jean Pierre Verne. Nesta mesma época ele manteve contato com os escritores Alexandre Dumas e Victor Hugo.

Em 1850, o jovem Verne testemunhou a estréia de sua primeira peça teatral "Les Pailles Rompues", em plena cidade-luz. Um ano depois, ele lançou o primeiro de muitos outros contos de ficção científica, gênero do qual é considerado o pioneiro, "Un Voyage En Ballon". Para manter-se financeiramente, Júlio se gradua na área de Direito, como era desejo de seu pai. Depois do casamento, procura uma posição mais estável na Bolsa de Paris, mas não abandona sua trajetória literária, a qual ganha novo impulso quando Júlio Verne se torna parceiro do renomado editor Pierre-Jules Hetzel, que já lançara autores consagrados, tais como George Sand e Victor Hugo.

Neste momento, em 1862, este agente edita sua primeira novela mais conhecida, Cinco Semanas em um Balão, que narra uma travessia de balão rumo à África, um relato tão detalhado, repleto de coordenadas geográficas, dados culturais, de um levantamento exaustivo dos seres irracionais que habitariam as regiões visitadas, e outros tantos elementos, que criavam no leitor a impressão de estar diante de uma descrição real. O que ninguém poderia imaginar é que o autor nunca sequer entrara em um balão, muito menos conhecia o continente africano. Tudo era fruto de sua mente imaginativa e de uma acurada pesquisa sobre o tema abordado em sua obra.

O fotógrafo Félix Nadar, grande conhecedor e admirador do balonismo, acolheu Júlio em seu grupo de cientistas, o que muito contribuiu para seus estudos sobre o assunto. Esta experiência despertou em Júlio Verne a paixão pela Ciência, por novas descobertas, pelas máquinas e outras criações, sem falar na obsessão por viagens ao longo do Planeta. Deste momento em diante, com o sucesso de Cinco Semanas em um Balão, ele passou a publicar anualmente novos livros, entre eles Vinte Mil Léguas Submarinas, Viagem ao Centro da Terra, A Volta ao Mundo em Oitenta Dias, Da Terra à Lua, Robur –o Conquistador.

Sua última obra, Paris no Século XX, foi escrita em 1863, mas lançada apenas em 1989, quando o bisneto do autor encontrou seu manuscrito. O teor deste livro foi considerado deprimente por seu editor, que se recusou a editá-lo, aconselhando o escritor a não levá-lo a público, por se desviar do caminho por ele seguido até o momento, que lhe garantira sucesso popular e muitos admiradores. Verne, então, trancou-o em um cofre.

Júlio Verne trocou Paris por Crotoy, em 1867. Deu início então a várias viagens, com uma jornada até os EUA, na companhia de seu irmão Paul. Esta e outras trajetórias o inspiraram a escrever A Cidade Flutuante. Até nossos dias os livros deste autor são os mais traduzidos da história literária. Ele é considerado o precursor de novas tecnologias, como os submarinos, aviões e viagens à Lua. Nos últimos anos de vida, Júlio se preocupou em abordar na sua obra o emprego destrutivo das inovações tecnológicas e suas conseqüências para o meio ambiente.

Ele morreu em 24 de março de 1905, na cidade de Amiens. Seu filho foi o responsável pela edição de seus escritos incompletos, criando os capítulos que faltavam para completar o legado paterno, o qual engloba 65 romances, 20 “short-stories” e ensaios, 30 peças e trabalhos geográficos, bem como libretos de ópera.