Ficção científica

Doutorado em Letras - Literatura e Língua Portuguesa (PUC-Rio, 2013)
Mestrado em Linguística, Letras e Artes (PUC-Rio, 2008)
Graduação em Jornalismo (PUC-Rio, 2001)

A ficção científica é um gênero ficcional desenvolvido no século XX e se refere às narrativas que incluem componentes científicos como essenciais ao andamento da trama.

Esse gênero consiste, a priori, de uma elaboração de fatos e princípios científicos em forma de narrativa, mas também pode abordar temas fantásticos, que, inclusive, contradigam tais fatos e princípios. Entretanto, nas duas situações, deve haver algum nível de plausibilidade e verossimilhança.

Suas raízes na história da literatura remontam ao início do XIX, com a novela gótica Frankenstein, da autora inglesa Mary Shelley, o terror psicológico de Robert Louis Stevenson (O Médico e o Monstro), os romances de Júlio Verne (Viagem ao Centro da Terra), baseados nas invenções científicas, e as novelas de crítica social de H. G. Wells (A Guerra dos Mundos).

A popularização massificada da Ficção Científica teve início a partir de 1926, quando Hugo Gernsback fundou a Amazing Stories Magazine, dedicada exclusivamente a histórias do gênero.

Entre os maiores expoentes do gênero, destacam-se autores como os russos Ayn Rand (A Nascente) e Isaac Asimov (Eu, Robô), os britânicos Arthur C. Clarke (Encontro com Rama) e J. G. Ballard (Crash), e os norte-americanos Ray Bradbury (Fahrenheit 451) e Philip K. Dick (Androides Sonham com Ovelhas Elétricas). O enfoque destes autores inclui predições, muitas vezes em tom de distopia, de sociedades futuras na Terra, além de análises das consequências da viagem interestelar e a exploração de formas de vida inteligentes fora da Terra e suas sociedades em outros planetas e galáxias.

Pode-se classificar a Ficção Científica como um subgênero dos romances de Aventura, Mistério, Drama e Horror. A diferença essencial é que, à diferença dos demais gêneros, tenta convencer o leitor de que as situações apresentadas podem não ser possíveis no contexto atual, mas são verossímeis, baseadas em explicações científicas ficcionalizadas. Nesse aspecto, difere da Ficção Fantástica, na qual a preocupação de afirmar a viabilidade real de seus acontecimentos não ocorre, como podemos observar nas obras de Kafka, Borges e García-Márquez.

Apesar de ser considerada por poucos como gênero literário favorito, a Ficção Científica ganhou bastante popularidade devido ao rádio, televisão, histórias em quadrinhos e cinema. Muitas vezes, as obras são adaptações de romances famosos, como no caso dos filmes 2001, uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, e Blade Runner, de Ridley Scott.

Um caso particularmente interessante ocorreu em 1938, quando o então jovem diretor cinematográfico Orson Welles leu em rede nacional, pela emissora CBS (Columbia Broadcasting System) a novela supracitada A Guerra dos Mundos, de Wells, até então desconhecida. O realismo empregado na leitura, aliado à engenhosidade da trama, levou boa parte da população norte-americana a ser tomada pelo pânico, acreditando que o planeta Terra estava realmente sendo vítima de um ataque de marcianos.

Casos como esse só ressaltam o poder de persuasão das narrativas do gênero.

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