William Shakespeare

Por Ana Lucia Santana
Não há quem nunca tenha ouvido falar deste célebre dramaturgo e poeta inglês, conhecido como um dos maiores autores de língua inglesa, um dos mais inspiradores na esfera do Ocidente. Os estudiosos levantam várias hipóteses sobre a vida deste britânico, mas boa parte do que se escreve sobre sua vida é tecida por teorias diversas e especulações. Alguns chegam a afirmar que ele não teria existido, e que suas obras pertenceriam, na verdade, a outros autores. Há quem também levante a hipótese de que William Shakespeare teria sido um mero ator se passando pelo dramaturgo responsável pelas obras nas quais ele apenas atuava.

O que conta, porém, é o valor inestimável, universal e eterno de suas obras, que transcendem o tempo e o espaço, renascendo sempre através das mãos de autores que as adaptam constantemente para o teatro, o cinema, a TV e a literatura. Raramente se encontrará alguém, em cada geração, que não tenha assistido ou lido alguma versão de Romeu e Julieta, ou não tenha conhecimento dos dilemas de Hamlet: “ser ou não ser, eis a questão”.


William Shakespeare

Considera-se seu nascimento no dia 23 de abril de 1564, em Stratford-upon-Avon, embora não haja registros desta data. Os pesquisadores chegaram a esta conclusão através dos documentos que comprovam a realização de seu batismo em 26 deste mesmo mês, uma vez que tradicionalmente se batizavam as crianças três dias depois de sua vinda ao mundo. Ele seria filho do luveiro, sub-prefeito e, posteriormente, comerciante de lãs, John Shakespeare, e de Mary Arden, filha de próspero senhor de terras. O escritor seria o terceiro entre oito filhos.

Ao completar 18 anos, de acordo com alguns acadêmicos, ele contraiu matrimônio com Anne Hathaway, com quem teve três filhos – Susanna e os gêmeos Hamnet e Judith Quiney. Em 1591 ele parte para Londres, tentando encontrar o caminho profissional tão desejado, na esfera cultural. Entre 1582 e 1592 ele atuou como ator, dramaturgo e dono da companhia teatral Lord Chamberlain’s Men, depois consagrada como King’s Men. A criação de sua primeira peça, Comédia dos Erros, iniciou-se em 1590 e completou-se quatro anos depois. Ele também escreveu, nesta fase, pelo menos 150 sonetos. Sua fama, porém, foi conquistada não por seus poemas, mas sim por suas peças.

Suas produções mais célebres e consagradas foram geradas entre 1590 e 1613. Inicialmente ele se dedicava a criar comédias e dramas históricos, com intenso requinte. Depois ele passou a se dedicar especialmente ao estilo trágico, até 1608. Surgem então os clássicos Hamlet, Rei Lear e Macbeth. A última etapa criativa de sua existência foi consagrada à elaboração de tragicomédias e ao trabalho conjunto com outros autores. O auge da fama de Shakespeare foi conquistado a partir do século XIX, principalmente entre os românticos, profundamente inspirados pela obra shakespeareana.

Shakespeare viveu o auge do que se conheceu como o teatro elisabetano, pois o momento histórico o favoreceu intensamente, uma vez que ele desenvolveu seu trabalho teatral em pleno apogeu do reinado da rainha Elisabeth I, considerado o tempo de ouro da cultura inglesa. A obra do escritor aborda temas essencialmente inerentes à alma humana, como o amor, os problemas sociais, as questões políticas, entre outros, temática que vai além de qualquer esfera temporal, o que explica seu eterno sucesso.

Em 1610 ele teria voltado à sua terra natal, onde produziria seu último trabalho, A Tempestade, concluído apenas em 1613. Três anos depois, no dia 23 de abril de 1616, morreria o maior de todos os autores teatrais da história cultural, por motivos ainda não revelados pela História.

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