Coqueluche

Por Débora Carvalho Meldau
A coqueluche, também chamada de pertússis, tosse comprida ou tosse convulsa, é uma doença altamente contagiosa, que tem como agente etiológico a bactéria Bordetella pertussis. Essa bactéria é um pequeno cocobacilo, gram-negativo, imóvel e estritamente aeróbio.

A B. pertussis está presente no mundo inteiro e acomete apenas os seres humanos. Estima-se que ocorram aproximadamente 30 a 50 milhões de casos da doença anualmente, sendo que 300.000 evoluem para óbito. Acomete quase sempre crianças com menos de 1 ano de vida.

Sua transmissão se dá através de perdigotos eliminados por indivíduos doentes. As bactérias aderem ao epitélio ciliado dos brônquios, permanecendo no lúmen, sem invadirem as células. Também pode ocorrer transmissão por fômites recentemente contaminados com secreções de doentes.

O período de incubação varia de 7 a 14 dias, sendo que a época de maior transmissibilidade ocorre na fase catarral. Para o controle da enfermidade, considera-se que o período de transmissão se estende de sete dias após contato com um enfermo até três semanas após o início dos acessos de tosse típicos da doença (fase paroxística).

A coqueluche manifesta-se classicamente em três estágios:

  • Estágio catarral: sintomas iniciais são semelhantes ao do resfriado (febre moderada, coriza, espirros e tosse irritativa).
  • Estágio paroxístico: aproximadamente duas semanas após, a tosse torna-se irritativa, com espasmos (paroxismos) de tosse. A tosse se caracteriza por repetidos acessos, vinte a trinta tossidas sem inalação seguidas de um ruído inspiratório característico. Em cada acesso de tosse, a face se torna pletórica ou repentinamente fica cianótica. O paciente pode perder a consciência momentaneamente ao final de uma crise de tosse. Nessa fase, há uma produção de muco intensa e os acessos de tosse podem levar o indivíduo à êmese.
  • Estágio de convalescência: os paroxismos de tosse desaparecem, dando lugar a episódios de tosse comum, podendo persistir por mais algumas semanas. Quando infecções respiratórias secundárias se instalam nessa fase, podem resultar em reaparecimento transitório dos paroxismos.

As complicações mais comuns afetam as vias respiratórias. Os lactantes apresentam um risco devido à falta de oxigenação após períodos de apnéia ou acessos de tosse. As crianças podem desenvolver pneumonia, que pode ser fatal. Pode ocorrer pneumotórax durante um episódio de tosse, hemorragia ocular, úlcera abaixo da língua quando esta é comprimida contra os dentes durante um episódio de tosse, hérnia umbilical e até prolapso retal. Lactantes também podem apresentar convulsões, sendo que essas são raras em crianças maiores. A hemorragia, o edema e inflamação cerebral podem resultar em lesão cerebral e retardo mental, paralisia ou outros problemas neurológicos.

Normalmente a coqueluche não é diagnosticada no período catarral, já que os sintomas são inespecíficos. Métodos laboratoriais de diagnóstico incluem cultura bacteriana, imunofluorescência, PCR e sorologia. Como a bactéria só pode ser obtida do indivíduo infectado durante as três primeiras semanas da doença, a cultura e a imunofluorescência são inúteis depois desse período.

O tratamento deve ser feito com orientação médica e consiste, basicamente, no uso de antibióticos como macrolídeos, sendo que é mais eficaz na fase catarral. Na fase paroxística há pouco a ser feito.

A prevenção deve ser feito com a vacinação, que é obrigatória de acordo com o esquema de vacinação (incluída na antiga tríplice, hoje tetravalente).

Fontes:
http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?655
http://www.copacabanarunners.net/coqueluche.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pert%C3%BAssis
http://www.saudeemmovimento.com.br/conteudos/conteudo_frame.asp?cod_noticia=656
http://webpages.fc.ul.pt/~mcgomes/vacinacao/pnv/index3.htm

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