Tuberculose

Por Ana Lucia Santana
A tuberculose ou “doença do peito” é uma enfermidade infecciosa antiga, contraída através do ar. O microorganismo que a provoca – o bacilo de Koch, conhecido nos meios científicos como Mycobacterium tuberculosis – pode afetar todos os órgãos, mas principalmente os pulmões. Embora seja considerado um mal bem remoto, infelizmente ele continua a reincidir sobre a humanidade nos tempos atuais. Talvez isso ocorra porque a tuberculose está relacionada ao modo de vida e ao trabalho do indivíduo, tendo, portanto, um componente social em sua transmissão, que inclui as políticas públicas de controle da doença.

Esta enfermidade é transmitida apenas pelo paciente portador do bacilo nos pulmões. Para se ter uma idéia, um simples espirro do sujeito infectado lança na atmosfera aproximadamente dois milhões de bacilos. Já através da tosse, são liberadas 3,5 mil partículas. Quem absorver o ar de um local contaminado tem grandes probabilidades de contrair a doença. O mundo inteiro está sujeito a uma epidemia de tuberculose, pois em toda parte há ocorrências deste mal. São altos os seus índices de mortalidade – cerca de 2,6 milhões de mortos em 1990, segundo dados da Organização Mundial de Saúde. Em 1993, as inúmeras ocorrências desta doença levaram esta entidade a decretar estado de emergência mundial e a criar o Tratamento Diretamente Supervisionado, programa que tem por objetivo controlar a tuberculose.

Mas com certeza a incidência de tuberculose em locais muito pobres, nos quais imperam a mistura confusa e caótica de pessoas, a fome, a desnutrição e as péssimas condições de higiene e de saúde, tais como a Índia, China, Indonésia, Bangladesh, Nigéria, Paquistão, Filipinas, Congo, Rússia e Brasil, é muito maior. Normalmente, porém, o número de mortes atribuídas a esta doença é desconsiderado, como ocorre em nosso país. Aqui, as regiões mais atingidas são as do Norte e Nordeste, por serem muito carentes.

Os sintomas mais comuns são: tosse prolongada – por mais de quinze dias -, febre, normalmente à tarde, suores à noite, perda do apetite, emagrecimento, fadiga, dor torácica, falta de ânimo. Apenas 10% dos pacientes com a tuberculose infecciosa progridem para um quadro mais sério. A doença se instala quando o bacilo chega aos alvéolos dos pulmões, às vezes se disseminando entre os nódulos linfáticos. Ele prossegue sua jornada no corpo humano através da corrente sanguínea, até atingir pontos nos quais a enfermidade se desenvolve melhor – no espaço superior dos pulmões, nos rins, no cérebro e nos ossos.

No primeiro contato com o bacilo, o paciente não tem ainda sua imunidade adquirida, mas rapidamente a sua resistência se delineia e, se o sujeito não tiver nenhum problema que debilite o organismo, o microorganismo é logo eliminado. Além de não permitir que a doença se instale no sistema fisiológico, suas defesas ainda criam proteções contra qualquer outra infecção deste bacilo. Isto ocorre em 90% dos casos. Se os mecanismos de resistência do organismo não conseguem, porém, exterminar o bacilo, a tuberculose primária se acomoda no corpo atingido, e causa pequenos nódulos nos pulmões. Não tratada a tempo, a enfermidade evolui para sintomas mais graves. As lesões se transformam nas cavernas tuberculosas, que inflamam e sangram com facilidade. As tosses deixam de ser secas e passam a conter sangue e pus – neste estágio elas são conhecidas como hemoptise.

É fácil contrair a doença em regiões nas quais ela predomina, e também se o sujeito trabalhar no campo da saúde, ou estiver limitado em espaços fechados, tais como asilos, presídios, manicômios ou quartéis; os negros parecem ser mais sensíveis a este bacilo; também há outros fatores – tendência genética, idade mais avançada, desnutrição, ser alcoólatra, ou viciado em outras drogas, o uso freqüente de determinados medicamentos, como os utilizados por pacientes que receberam um transplante, corticóides ou outros que afetam a imunidade, e ser portador de doenças como a Aids, o diabete, insuficiência renal crônica, tumores ou silicose, uma enfermidade pulmonar.

O diagnóstico mais eficaz da doença é realizado colhendo-se secreção pulmonar. O catarro é coletado por meio da tosse, preferencialmente na parte da manhã. O ideal é que se colha duas amostras em dias seguidos. Se o bacilo for encontrado, a doença é comprovada. Em crianças, o teste mais freqüente é o aspirado gástrico – aspira-se as substâncias contidas no estômago do paciente, nas quais se busca achar o Mycobacterium através do catarro engolido. A fibrobroncoscopia é geralmente empregada quando o sujeito não está expectorando. Um aparelho é introduzido no pulmão e o que for aí colhido é usado para se observar a presença ou não do bacilo da tuberculose. Há também casos raros em que se lança mão da biópsia pulmonar, efetuada em uma intervenção cirúrgica.

O importante é prevenir a tuberculose, principalmente através da vacinação – a BCG, aplicada no primeiro mês de vida, que imuniza contra as formas mais sérias deste mal. Uma vez que se foi contagiado, há três remédios que geralmente são combinados em um coquetel, a rifampicina, a isoniazida e a pirazinamida. O tratamento se prolonga por aproximadamente seis meses e as probabilidades de cura atingem os 95%. Mas, se o tratamento for suspenso, mesmo com a aparente extinção dos sintomas, a doença pode retornar, com os bacilos ainda mais resistentes aos medicamentos. Isso é muito grave, pois uma tuberculose resistente pode se transformar em uma nova epidemia global, talvez potencialmente incurável. É fundamental comunicar o sistema público de saúde quando se contrai essa enfermidade, para que seu controle se torne possível. No Brasil, os remédios são pública e gratuitamente distribuídos para os pacientes afetados.

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