Fumante Passivo

Por Thais Pacievitch
Fumante passivo é a pessoa que fica exposta a fumaça de cigarros, charutos, cachimbos, etc. em locais fechados, fumados por pessoas com as quais convive, e que, mesmo sem ser fumante, fica suscetível aos malefícios que o fumo causa.

As pessoas que convivem com fumantes também são prejudicadas pelas substâncias do cigarro. Ilustração: Artistan / Shutterstock.com

As pessoas que convivem com fumantes também são prejudicadas pelas substâncias do cigarro. Ilustração: Artistan / Shutterstock.com

A fumaça a qual o fumante passivo fica exposto contém partículas e gases. Nas partículas, são encontradas substâncias como nicotina, alcatrão e benzina, citando as mais conhecidas. Entre os gases, encontra-se o monóxido de carbono (CO), dióxido de carbono (CO2), cianeto de hidrogênio (HCN) e amônia (NH3), entre outros. Na verdade, a fumaça é composta por mais de 4000 componentes químicos, sendo que destes, 69 são comprovadamente cancerígenos.

As consequências para a saúde dos fumantes passivos serão maiores quanto maior for o tempo que ficarem expostos à fumaça em locais fechados e com pouca ventilação.

Inúmeras pesquisas indicam que os danos causados pelo fumaça ao fumante passivo são bem mais graves do que aqueles percebidos durante ou logo após a exposição, como rinite, congestão nasal, tosse, dor de cabeça, irritação nos olhos e garganta ou náuseas.

Desde a gravidez, a exposição ao fumo é um risco. Segundo estudos, a incidência de abortos espontâneos e bebês natimortos são maiores entre as grávidas expostas ao fumo, ativas ou passivas. As crianças expostas a fumaça são mais suscetíveis a infecções respiratórias, como bronquite e pneumonia, têm maior possibilidade de serem asmáticas, de apresentarem otite (dor de ouvido), doenças cardiovasculares e câncer, sobretudo no pulmão. Hiperatividade, desatenção e problemas de comportamento são mais comuns entre os filhos de fumantes, que aliás, tem maior probabilidade de tornarem-se fumantes quando adultos.

Várias pesquisas em diferentes países concluíram que, entre os adultos, o fumo passivo pode causar câncer, doenças cardiovasculares e doenças no trato respiratório entre outras inúmeras doenças.

Diversas campanhas, em todo o mundo, alertam sobre os riscos do cigarro e da exposição a fumaça pelos não fumantes. Não à toa, recentemente vários estados brasileiros tem discutido e aprovado leis antifumo, subsidiadas pela Lei Federal nº. 9294/96, em seu art. 2º:

É proibido o uso de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou de qualquer outro produto fumígero, derivado ou não do tabaco, em recinto coletivo, privado ou público, salvo em área destinada exclusivamente a esse fim, devidamente isolada e com arejamento conveniente do consumo de cigarros (e outros) em ambientes fechados, tanto públicos quanto privados.

Embora estejam causando polêmica, as leis estaduais antifumo, via de regra, estão apenas específicando e impondo as regras para a efetivação da Lei Federal já existente, com o objetivo de limitar os efeitos nocivos do fumo somente as pessoas que escolheram dele fazer uso.

Referência:
BRASIL. Lei nº 9.294, de 15 de julho de 1996. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9294.htm> Acesso em 30 jan. 2010.

DANOS DO FUMO PASSIVO PARA A SAÚDE. Disponível em: < http://tobaccofreecenter.org/wp-content/uploads/pdfs/pt/SF_health_harms_pt.pdf> Acesso em 30 jan. 2010.

FUMANTE PASSIVO. Disponível em: < http://psicoativas.ufcspa.edu.br/fum%20pas.html> Acesso em 30 jan. 2010.

NUNES, Rizzatto. Quem tem medo da lei antifumo? Terra Magazine, jul. 2009. Disponível em: < http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3859460-EI11353,00-Quem+tem+medo+da+lei+antifumo.html> Acesso em 30 jan. 2010.