Maricultura

Por José Henrique Garcia

A maricultura compreende as atividades humanas que são desenvolvidas nos ambientes aquáticos de água salgada. Ou seja, é o cultivo de organismo aquáticos de forma artificial uma vez que não se dá de forma espontânea na natureza, o ambiente será controlado pelo homem. Os cultivos mais importantes atualmente são os de peixes (piscicultura) o cultivo de mexilhões (mitilicultura), cultivos de ostras (ostreicultura) e o cultivo de camarões (carcinicultura).

No Brasil a maricultura vem se desenvolvendo muito rápido e através de suas vertentes é no Estado de Santa Catarina que se concentra grande parte do cultivo de moluscos, colocando o país na segunda posição na América Latina como grande produtor. Em outras regiões o cultivo de camarões, setor que atualmente, com a introdução de espécies exóticas, não mais se restringe a região nordeste, se expandindo rapidamente para o sudeste do país.

Mundialmente, os países que mais produzem utilizando a maricultura são: China, Peru, Japão, Índia e Estados Unidos, sendo que o Brasil ocupa atualmente a 27° posição deste ranking. No Brasil, o cultivo de mexilhões surgiu como uma forma de exploração racional dos recursos marinhos, e por décadas foram desenvolvidos experimentos em diversas instituições de pesquisa na região sudeste do Brasil. Devido as condições oceanográficas propícias ao desenvolvimento do cultivo de moluscos, o Estado de Santa Catarina se tornou na última década, o maior produtor de mexilhões de toda a América Latina, difundido em praticamente todas as enseadas e baías da costa centro norte do estado, com uma produção que representa 95% do total de moluscos cultivados no Brasil.

Carnicicultura

Dentro da maricultura, temos o chamado cultivo de camarões, que possui o nome técnico de carcinicultura. No Brasil foi introduzida a espécie Litopenaeus vannamei - importada da costa oeste do Pacífico - organismos exóticos e mais resistentes do que as espécies nativas do litoral brasileiro.

A carcinicultura ocupa áreas de restinga e mangue, caracterizando-se uma atividade com alto investimento, tanto no início do empreendimento, como confecção de tanques, sistemas de bombeamento de água e infra-estrutura física, como no manejo, pela necessidade de alimentação e controle do ambiente com a presença constante de técnicos capacitados.

A maricultura surgiu para dar um impulso na produção de alimentos, uma vez que as estimativas da Organização das Nações Unidas a população humana passará de 5 bilhões em 1990, para 8 bilhões em 2025, sendo a manutenção e a melhoria de qualidade de vida um dos maiores problemas, por isso cultivos são importantes, devido ao fato de gerar emprego, sua razão social, além de produzir alimento para as futuras gerações.

Algacultura

Um dos novos segmentos da Maricultura é o cultivo de algas (Algacultura), que atualmente existe em quase em todo o mundo, gerando cerca de 15,1 milhões de toneladas e gerando lucros de 7,2 milhões de dólares ano. O cultivo das algas é importante pois poderão ser usadas como fonte de alimento tando para nós humanos quanto para outros cultivos de diversos organismos.

Sushi, um prato japonês preparado com algas.

O cultivo de algas, como as microalgas, é importante pois estes organismos possuem muitas proteínas, beta caroteno, vitaminas, podendo ser usadas como complementos alimentares, e também na indústria farmacêutica.

Alguns cultivos de algas como o da Haematococcus pluvialis são muito importantes na indústria alimentícia, pois estas algas produzem muito de uma substância denominada astaxantina. A estaxantina é usada juntamente com rações para alimentação de salmões para deixar o músculo mais avermelhado. Possui outras funções como: ajudar no desenvolvimento cerebral, melhora na resposta imunológica, antigripal, tratamento de doenças cardíacas além de tratmentos de lesões musculares.

Piscicultura

A piscicultura, que é o cultivo de peixes, surgiu na China há 4 mil anos atrás, a partir de observações de peixes no ambiente natural, sendo esta tecnologia desenvolvida com o passar dos anos. Possui vantagens pois pode ser realizada em áreas improdutivas ou com baixo rendimento agropecuário, por ter disponibilidade do produto em qualquer época do ano, diversificação do produto em uma propriedade, produção relativamente grande em função da área utilizada e retorno do capital investido em pouco tempo.

A piscicultura tem diversas finalidades como a produção de peixes ornamentais, sanitária (ação controladora), povamento de espécies, repovoamento de espécies, industrial que vai gerar beneficiamento de produtos e emprego e ambiental na redução de efeitos poluentes (peixes filtradores).

A piscicultura pode se dar através de cultivos extensivos onde o ambiente não possui controle, a alimentação não é fornecida e não é necessário a adubação. Outra forma é a Semi-Intensiva, onde o ambiente possui controle, não sendo comum fornecer o alimento, porém pode acontecer e a Intensiva onde o ambiente é controlado e a alimentação é fornecida, sendo esta última, grande geradora de produção.

Referências:
Montibeller, G. F. Maricultura e Meio Ambiente. A experiência da Escócia como alerta para o Brasil. Textos de Econômia. v.8, n.1 pp. 193-206

Marenzi, A. W. C. 2003. Apostila do Mini-Curso de Maricultura e o Meio Ambiente. 2° Simpósio Brasileiro de Engenharia Ambiental. Univali. Itajaí.

http://www.portaldamaricultura.com.br/
http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/aquic.htm
http://www.bionomicfuel.com/scientists-confirm-algae-is-the-most-effective-alternative-energy-source/