Estruturas de Madeira

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As árvores podem ser divididas em 2 grandes grupos: as endógenas e exógenas. As endógenas são as árvores cujo crescimento diametral ocorre de dentro para fora, sendo a parte mais externa a mais antiga e mais endurecida, como por exemplo as palmeiras, bambus, dentre outras. As exógenas são as árvores cujo crescimento diametral ocorre de fora para dentro, pela superposição de novas camadas. (1) As árvores exógenas são classificadas ainda em dois subgrupos, devido às diferenças anatômicas que existem entre elas:

  • As coníferas -  não produzem frutos e suas folhas têm forma de agulha. Exemplos: pinus, timbauva, etc.
  • As folhosas - produzem frutos e têm folhas achatadas. É neste subgrupo onde se encontram as madeiras nobres. Exemplos: peroba, cedro, ipê, etc.
Foto: Ivonne Wierink / Shutterstock.com

Foto: Ivonne Wierink / Shutterstock.com

No Brasil, a grande maioria das construções em madeira se resumem ao telhado (armação), assoalhos em algumas residências e algumas construções simples (quiosques, casebres, etc). Diferindo-se consideravelmente de alguns países como os Estados Unidos, Alemanha, Suíça, dentre outros. Isto se deve a um ainda existente preconceito em relação ao emprego da madeira, creditado ao desconhecimento do material e à falta de projetos específicos e bem elaborados. As construções em madeira geralmente são idealizadas por pessoas sem um conhecimento técnico, como carpinteiros, pedreiros, que não são preparados para projetar, mas apenas para executar. (2)

Uma grande preocupação são as questões ambientais, pensa-se erroneamente que o uso da madeira por si só destrói as florestas, o uso desenfreado por pessoas que apenas visam o lucro contribuem para formar esse pensamento na maioria da população, contudo esquecem-se que as florestas são renováveis e quando realizada de uma forma sustentável e com responsabilidade ambiental não acarreta danos irreversíveis ao equilíbrio do ecossistema.

O aproveitamento de florestas de rápido crescimento na produção de madeira serrada é fundamental na diminuição das concentrações de gás carbônico na atmosfera, pois o gás absorvido da atmosfera e contido na madeira é imobilizado durante toda a existência da madeira, sendo tanto mais efetivo, quanto mais duradoura é a peça de madeira. Assim sendo, enquanto a madeira existe na forma de móveis, objetos de madeira, construções e componentes para edificações, a atmosfera terrestre estará com menor concentração de gás carbônico, o principal responsável pelo efeito estufa. Assim sendo o uso do produto florestal como madeira sólida além dos benefícios econômicos e sociais, gera também consequências positivas para o meio ambiente. (3)

Dependendo do tipo do material, técnica e sistema construtivo do projeto, podem ocorrer inúmeras deteriorações numa edificação. Nos telhados por exemplo, as principais têm origem nas goteiras, quer por percolação nas telhas mal cozidas, quer por infiltração em cumeeiras, beirais e transbordamento nas bicas estreitas (4), logo se faz necessário uma execução correta aliado a um estudo específico e técnico com o objetivo de detalhar qual tipo de madeira deve ser realizado no projeto, de acordo com o clima da região onde o projeto será executado, com o processo de secagem correto, o tratamento contra ações biológicas, a seleção do lote sem defeitos aparentes, a preocupação com o nível de umidade, o transporte e o armazenamento, logo se faz consideravelmente necessário uma atenção ao pré-projeto, contrariando-se a muitas práticas das construções realizadas por pessoas despreparadas.

Devem ser realizadas periodicamente inspeções que busquem indícios de má conservação dos elementos de madeira, frequentemente assolados por deformações acentuadas ou sintomas diversos associados a umidificação frequente ou contínua dos materiais da construção. (5), afim de se permitir uma proteção preventiva.

Referências Bibliográficas:

(1) TARSO, P. Notas de Aula de Estruturas de Madeira – Departamento de Estruturas – UFPI

(2) GESUALDO, F. A. R.; Notas de Aula de Estruturas de Madeira – FECIV – UFU.

(3) PONCE, R. H.; Madeira serrada de Eucalipto: desafios e perspectivas. In: Seminário Internacional de Utilização da Madeira de Eucalipto para Serraria. p.50-58.

(4) TINOCO, J. E. L.; Telhados tradicionais patologias, reparos e manutenção. Revista Brasileira de Arqueometria, Restauração e Conservação. Vol.1, No.5, 2007, p. 232 – 237.

(5) CRUZ, H.; Patologia, avaliação e conservação de Estruturas de Madeira. I curso livre internacional de património.
associação portuguesa dos municípios com centro histórico; fórum UNESCO Portugal. Santarém, fevereiro/março de 2001

Arquivado em: Engenharia Civil
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