Contra-iluminismo

Contra-iluminismo, "conservadorismo de trono e altar" ou "conservadorismo latino" foi o nome dado a um movimento conservador que existiu entre os séculos XVIII e XX, cujo objetivo era reverter as mudanças políticas, sociais, religiosas e filosóficas associadas ao Iluminismo e à Revolução Francesa. Tal filosofia é associada também aos termos "contra-revolucionário" e "reacionário". O nome "contra-iluminismo" surgiu de uma definição do filósofo Isaiah Berlin, e estava intimamente associado a outros movimentos políticos e culturais que também se opunham ao iluminismo, como as teorias políticas de Rousseau e o movimento romântico nas artes. A essência do pensamento contra-iluminista remonta, pelo menos em parte, à cultura europeia medieval e à ideia de cristandade.

Os pilares desta ideologia são o trono e o altar: o trono representa o governo autoritário do monarca hereditário sobre uma sociedade hierarquicamente estruturada. Os súditos não desfrutam dos direitos civis concebidos a partir das ideias iluministas, como a liberdade de expressão, liberdade de reunião ou mesmo a liberdade de imprensa. O altar representa a Igreja, quase sempre a Igreja Católica, como uma instituição política e social, que tem o apoio do Estado. O rei seria um defensor da igreja e uma pessoa sagrada em si própria. A pregação e a prática de formas heréticas da religião seriam proibidas.

Os contra-iluministas muitas vezes atribuíam o advento da moderna civilização liberal a uma conspiração, ao invés de mudanças sócio-econômicas graduais. A teoria de uma conspiração maçônica ganhou terreno após a Revolução Francesa de 1789, e no final do século XIX eles divulgam o mito da conspiração judaica mundial.

Seus simpatizantes se opunham inicialmente ao nacionalismo, que era em sua essência um movimento liberal e progressista (até o final do século XIX, no entanto, as ideias nacionalistas criaram raízes na extrema direita). Um dos autores mais importantes desta corrente foi o francês Charles Maurras, cuja obra tornou-se uma base ideológica para o fascismo. Destacaram-se ainda como proeminentes intelectuais contra-iluministas Joseph de Maistre, Louis de Bonald, François- René de Chateaubriand e Augustin Barruel.Eles têm fortes afinidades com a ideologia francesa de Maurras e o "catolicismo nacional" do general Franco.

O contra-iluminismo surge na última parte do século XVIII, e entra em declínio a partir de 1870. Suas ideias, contudo, levaram bastante tempo para morrer. O último regime representante fiel de tal filosofia foi o do general Franco na Espanha, que terminou em 1975. Hoje em dia, o contra-Iluminismo deixou de existir efetivamente como uma força política viva, embora seja celebrada por movimentos políticos de extrema-direita como a Frente Nacional Francesa e por católicos ultra-tradicionalistas.

Bibliografia:
What was the Counter-Enlightenment? (em inglês). Disponível em: < http://counterenlightenment.blogspot.com.br/p/what-is-this-blog-for.html >.

Arquivado em: Filosofia, Política