Jacobinos

Graduação em História (UFRJ, 2016)

O termo "jacobino" se refere comumente ao grupo político mais radical durante a França republicana ao final do século XVIII, que caracterizaria principalmente a segunda fase da Revolução Francesa. Os jacobinos também seriam conhecidos como montanheses, uma vez que ocupariam a parte mais alta da sala onde se reunia a Convenção Nacional.

De início, os jacobinos eram apenas os membros de um clube maçônico chamado Clube Jacobino – que, por sua vez, tinha tal nome por se localizar no Convento de São Tiago (no original francês, Jacques ou Jacob). Pertenciam ao grupo alguns nobres e vários burgueses ricos; entre estes, encontravam-se importantes personagens para a Revolução que em breve ocorreria, como Jacques-Pierre Brissot, que lideraria a facção girondina, e Maximilien Robespierre, que lideraria os jacobinos.

Robespierre.

Durante esta primeira fase do grupo, denominada pelo historiador Michel Vovelle como jacobinismo primitivo, a cisão entre os dois grupos ainda era superficial. Como um todo, o Clube defendia a monarquia constitucional e o voto censitário, pensando a Revolução como uma mera reforma do antigo governo monárquico. Entretanto, após a tentativa de fuga do rei Luís XVI, em junho de 1791, as discordâncias sobre o que deveria ser feito a respeito da família real levou à cisão do Clube Jacobino entre os moderados – hesitantes quanto ao fim da monarquia – e os democratas – muito mais radicais e idealistas em sua defesa da República. Durante a segunda fase, chamada de Vovelle como jacobinismo misto, a cisão entre estes dois grupos aumentou cada vez mais, principalmente depois que os democratas se aliaram aos revolucionários populares, costumeiramente chamados de sans-culottes. Em julho de 1792, em uma reunião do Clube, Robespierre pediu abertamente a destituição do monarca e o fim das eleições por voto censitário; pouco depois, o palácio de Tulherias foi invadido e o rei foi preso, juntamente com sua família. O fim da monarquia se tornaria oficial pouco depois, em 20 de setembro, quando foi proclamada a república na França.

Contudo, seria apenas depois da execução do antigo soberano, ocorrida em 20 de janeiro de 1793, que o antigo Clube Jacobino – já renomeado como Sociedade dos Jacobinos Amigos da Liberdade e da Igualdade, termo que marcou sua terceira e última fase, chamada simplesmente de jacobinismo de 1793 – encontrou as condições para tomar espaço dentro da Convenção Nacional, o novo e desgastado governo girondino. Em meio a uma grave crise econômica, favorecida pela política liberal dos girondinos, a nova República perdeu rapidamente o apoio entre as camadas populares e a pequena burguesia, o que permitiu que os jacobinos assumissem completamente o controle do governo em um golpe ocorrido em dois de junho; pouco depois, os girondinos passaram a ser perseguidos.

Esta Convenção Nacional controlada por Robespierre teve grande apoio da população em seu início, uma vez que criou leis fixando teto para o preço de produtos, promoveu a reforma agrária e repartiu bens de nobres, além de obter vitórias decisivas sobre os exércitos contrarrevolucionários. Entretanto, com o passar dos meses, a perseguição cada vez mais extrema dos jacobinos contra líderes populares afastou paulatinamente tal apoio; ao mesmo tempo, as medidas econômicas intervencionistas do governo incomodavam a alta burguesia. Desta forma, os jacobinos tornaram-se politicamente vulneráveis, e acabaram derrubados em um golpe ocorrido em 27 de julho de 1794; Robespierre morreria executado, sem julgamento, na guilhotina. Iniciava-se o governo conservador da alta burguesia girondina, que duraria até a ascensão de Napoleão Bonaparte em 1799.

Bibliografia:
LIMA, Lizânias de Souza; PEDRO, Antonio. “Da revolução iluminista à Revolução Francesa”. In: História da civilização ocidental. São Paulo: FTD, 2005. pp. 255-259.

http://revolucaoemfranca.blogspot.com.br/2010/05/jacobinos.html
http://revolucao-francesa.info/convencao-nacional.html
http://www.historiabrasileira.com/brasil-imperio/jacobinismo/