Assoreamento

Por Emerson Santiago
O termo assoreamento refere-se a um fenômeno de acumulação de sedimentos em face dos processos erosivos causados pelas águas, ventos e processos químicos, antrópicos e físicos, que desagregam os solos e rochas formando sedimentos que serão transportados. Em outras palavras, é um termo equivalente a "obstrução", só que comumente aplicado a cursos d'água, sendo um produto direto da erosão dos solos.

Com as chuvas, sedimentos (e atualmente, incluindo os restos produzidos pelos seres humanos) são levados de seus lugares de origem, indo geralmente parar nos rios mais próximos. Ali, os sedimentos viajam de duas formas distintas, ou por suspensão ou por arraste de fundo. O transporte em suspensão ocorre quando o tamanho das partículas é pequeno o bastante para a velocidade das águas transportá-lo em forma que parece ser dissolvida. No momento em que as águas deixam de correr, em áreas de lagoas situadas ao longo do curso, nota-se a deposição deste material no fundo. O arraste de fundo constitui o “rolamento” das partículas do solo, em especial de areia, no leito do curso d’água. Seu peso não permite ser deslocado “dissolvido”, mas a velocidade da água é suficientemente forte para impulsioná-lo ao longo do leito. Nas áreas de águas calmas, estes sólidos formam bancos de areia. Quanto maior e pesada for a partícula, mais cedo deixará de mover-se, e será a primeira a se depositar nos remansos dos rios. A força cinética das águas levará as partículas menores mais longe e as depositará nos locais mais distantes.

O assoreamento pode ser contido por meio da manutenção das terras cultiváveis e também pela implantação de matas ciliares. Em locais de solo muito arenoso, de processo erosivo muito forte, outros cuidados adicionais devem ser tomados, como barragens de contenção, tratamentos de vossorocas e uso de técnicas especiais de cultivos, tais como plantios na palha e rotação de culturas, para evitar a perda da terra fértil.

A natureza, porém, mostra que é praticamente impossível represar as águas mesmo em situações drásticas como na formação de uma montanha. Exemplo clássico é o do Rio Amazonas, onde, há milhares de anos atrás, suas águas corriam para oeste. Com o soerguimento da cordilheira dos Andes, estas águas foram, a princípio, impedidas de fluir naquela direção, mas com o tempo mudaram de sentido correndo para leste, transportando imensos volumes de sedimentos que se depositaram (assoreando) no gigantesco vale tipo "rift" que hoje é chamado de Bacia do Amazonas.

O transporte de sólidos em suspensão e o assoreamento são uma contaminação que causa efeitos ecológicos pelo soterramento da vegetação subaquática, pelas dificuldades que impõem à ovulação dos peixes e outros seres aquáticos que põem seus ovos nos substratos, e até nos problemas relacionados à respiração da fauna aquática, obstruindo as brânquias. Pode ainda afetar a navegabilidade dos rios obrigando a dragagens e outros atos corretivos, mas, enquanto existirem chuvas a água irá continuar, inexoravelmente, correndo em direção ao mar, vencendo, nos seus caminhos todas as barreiras que o homem ou a própria natureza colocar.

Bibliografia:
JACOBI, Pedro. O assoreamento poderá extinguir e estagnar nossos rios?. Disponível em <http://www.geologo.com.br/assoreamento.asp>. Acesso em: 20 nov. 2011.

Assoreamento. Disponível em <http://ambientes.ambientebrasil.com.br/agua/impactos_sobre_as_aguas/assoreamento.html>. Acesso em: 20 nov. 2011.