Canal do Panamá

O Canal do Panamá é um imenso canal construído pelos americanos com o intuito de ligar o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico.

Eclusas no Canal do Panamá. Foto: Chris Jenner / Shutterstock.com

Eclusas no Canal do Panamá. Foto: Chris Jenner / Shutterstock.com

Com o sucesso da construção do Canal de Suez, ligando o Mar Mediterrâneo ao Golfo de Suez, era a vez de facilitar a vida dos ianques que tinham de viajar até as gélidas águas do Estreito de Magalhães no extremo sul da América para viajar da costa leste à costa oeste numa travessia arriscada, cara e longa: eram mais de 15 mil quilômetros a percorrer.

Entretanto, como tudo na vida americana, a construção do Canal tinha motivos um pouco menos altruístas que simplesmente facilitar a navegação inter oceânica. O Panamá, na época uma província Colombiana, poderia ser uma boa base estratégica para o tio Sam.

Depois de conseguir a permissão dos britânicos, que eram donos de inúmeras possessões no Caribe, anulando o tratado de Clayton-Bulwer segundo o qual ambos se comprometiam a não iniciar a construção sem o consentimento mútuo, Ferdinand de Lesseps, engenheiro francês, dá início às obras em 1879. Infelizmente, para ele. De início, a obra foi um desastre levando-o à falência dez anos depois.

Era então chegada à hora dos americanos interferirem.

Convicto de que a construção do canal seria algo importante para os americanos, Theodore Rosevelt, presidente dos EUA de 1901 a 1909, ofereceu 40 milhões de dólares ao engenheiro que trabalhara com Lesseps e que havia fundado a Compagnie Nouvelle Du Canal de Panama encarregada de vender o espólio da falida empresa de Ferdinand, pelo direito de continuar a construção.

Mas, mesmo depois de ter conseguido, através dos tratados Hay-Paucefote, que a Inglaterra abrisse mão de ser sócia na construção do canal e ainda permitisse que os EUA construíssem uma base militar na região, os americanos ainda tinham uma pedra pelo caminho: a Colômbia queria mais dinheiro pela companhia francesa.

Canal do Panamá. Foto: Elena Fernandez Z. / Shutterstock.com

Canal do Panamá. Foto: Elena Fernandez Z. / Shutterstock.com

Foi então que, em outubro de 1903, os funcionários da Panama Railroad Company deflagraram um pseudo movimento separatista com o apoio dos fuzileiros norte-americanos a bordo do encouraçado Nashville.

Os colombianos nada tiveram a fazer senão aceitar e, um mês depois, os norte-americanos assinaram o Tratado Hay – Bunau Varilla (ou Isthmian Canal Convention), segundo o qual possuem domínio perpétuo sobre uma zona de 16 km ao longo do canal em troca de 10 milhões de dólares aos panamenhos e mais 250 mil dólares anuais.

Assim, o canal foi construído a partir de 1904 e, mais dez anos depois foi inaugurado. O saldo da construção de uma das maiores obras de engenharia americana, o canal possui 80 km de extensão, foram mais de 5 mil mortos por malária e febre amarela a um custo de 360 milhões de dólares.

Anos depois, em 1921, os EUA assinaram um tratado especial de reconciliação com os colombianos pagando 25 milhões de dólares como indenização.

Atualmente, o Canal do Panamá é a principal via de navegação entre os dois oceanos por onde passam cerca de 12 mil navios por ano de todos os tipos. O canal funciona através de um sistema de eclusas para compensar a diferença de altitude entre o Atlântico e o Pacífico e entre estes e o Lago Gatun que fica bem no meio do canal e é o ponto de maior altitude.

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