Lençol freático

Lençol freático deriva do grego (phréar + atos, “reservatório de água”, “cisterna”) e é definido como o reservatório natural de água subterrânea que se acumula entre as rachaduras das rochas. Essa zona é a superfície de contato entre a zona de saturação, onde a água em sub-superfície é acumulada, e a zona de aeração, onde o excedente de água, ainda em superfície, se movimenta devido à gravidade. Por ser o contato direto entre a água superficial e a água subterrânea, seu cuidado é fundamental para a qualidade dos recursos hídricos, visto que o lençol freático é um dos responsáveis pelo abastecimento dos rios.

O lençol freático se caracteriza por ser permeável, estando situado imediatamente abaixo de uma camada impermeável ou sub-permeável – no caso, a superfície. Ele perpassa as margens de todos os cursos d’água, formando assim uma linha contínua com a parte mais superior de rios, lagos e mares. Ou seja, o lençol freático não corresponde a uma porção d’água em si, mas sim, a uma superfície imaginária que delimita superiormente esta massa d’água.

Esta linha que é o lençol freático varia conforme a topografia do terreno, seu tipo de solo e suas rochas. Seu tamanho oscila em virtude do maior ou menor escoamento da água armazenada. Em casos de chuva ou degelo, o lençol freático aumenta seu volume. Por outro lado, quando ocorrem períodos de seca ou destruição dos solos, a água acumulada escoa para as nascentes, liquidando com o lençol freático.

Mesmo sendo mais difíceis de serem poluídos, os lençóis freáticos sofrem habitualmente com a ação antrópica. A instalação de poços irregulares para a captação de sua água, o uso de agrotóxicos em plantações e a invasão do solo para construções subterrâneas como túneis ou fundações provocam alterações danosas ao lençol freático.

Além disso, a destruição da vegetação e o processo de urbanização modificam o abastecimento do lençol freático, que deixa de receber água em virtude da dificuldade de penetração ao solo. Isso é ainda mais grave quando se leva em conta a ocupação desenfreada sob áreas de mananciais, que dependem do fornecimento de água propiciado pelos lençóis freáticos.

No caso de lugares que abrigam depósitos de lixo, lixões ou aterros não regulares, o risco de contaminação do lençol freático é ainda maior. O chorume formado pela acumulação de lixo adentra ao solo e atinge com facilidade as águas subterrâneas, poluindo gradativamente os recursos hídricos disponíveis no subsolo.

Referências bibliográficas:

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