Mananciais

Licenciada em Geografia (UFG, 2003)

Mananciais são quaisquer corpos d’água potável, que venham a ser utilizados para o consumo humano, animal e vegetal, para o abastecimento das cidades ou para o funcionamento dos setores de produção, como fábricas, plantações, criação de animais, entre outros.

Os mananciais podem ser os cursos de rios, lagos, reservatórios, sejam eles superficiais ou subterrâneos, assim como os aquíferos e lençóis freáticos. Em virtude de sua importância, a conservação dos mananciais é premissa fundamental na manutenção das atividades econômicas e principalmente para o uso dos seres humanos, seja na cidade ou no campo.

A água potável das grandes cidades geralmente vêm dos mananciais. Foto: Don Pablo / Shutterstock.com

Os mananciais e a humanidade

No desenvolvimento da humanidade a água sempre deteve um papel importante no cotidiano dos indivíduos. Por exemplo, há cerca de 4.000 a.C, quando as pessoas viviam como nômades, ou seja, não tinham um lugar fixo de moradia, era necessário estar sempre em busca de água e animais e plantas para consumo. A presença de mananciais de água potável, foi determinante para que os seres humanos passassem a ser sedentários, ou seja, fixaram moradia em uma área e lá produzir o seu sustento.

Significativa parcela das primeiras grandes civilizações, desenvolveram-se às margens de grandes rios, são exemplos:

  • Os Sumérios que organizaram sua sociedade na região da Mesopotâmia, entre os rios Tigres e Eufrates;
  • Os Egípcios, no Egito antigos, as margens férteis do rio Nilo e
  • Os Chineses as margens do Huang He ou rio Amarelo.

Na atualidade, as relações existentes entre o desenvolvimento das sociedades e os mananciais são tão significativas para a manutenção e ampliação dos territórios, que demandam atenção específica por parte dos órgãos de proteção e controle governamentais. Nos últimos anos, vários estados brasileiros criaram legislação específica para o uso dos mananciais.

Os mananciais e a população

Seja em uma pequena vila no interior do Brasil ou nas grandes metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Recife a conservação e o gerenciamento dos mananciais tornou-se preocupação prioritária. A população brasileira quase triplicou nos últimos 50 anos e tornou-se urbana. O crescimento populacional aumentou exponencialmente a demanda por água potável nos grandes centros urbanos.

As cidades cresceram e ao mesmo tempo, a ocupação sem planejamento, gerou processos de degradação dos mananciais. Uma série de fatores ameaça a disponibilidade de água nos mananciais que cortam ou circundam as grandes cidades brasileiras entre eles:

  • O do mau uso do solo, como a retirada da cobertura vegetal, impermeabilização e formação de erosões;
  • A ocupação das áreas de várzea e as planícies de inundação que provocam a contaminação dos mananciais;
  • O desmatamento de matas ciliares e de galeria, vegetação que protege os mananciais de assoreamento, contaminação e erosão de suas margens;
  • e princialmente o despejo irregular de esgoto nos cursos d’água.

No Brasil 54% do esgoto gerado, seja por residências ou indústrias, não é tratado e, portanto é despejado de forma irregular nos leitos dos rios ou no solo. Entre as regiões brasileiras a que possui maior percentual de esgoto tratado é a Centro-Oeste com 52,02%, enquanto a região Norte possui 22,58% o menor percentual entre as regiões.

Atividades econômicas e os mananciais

Os setores de produção também consomem grandes quantidades de água, que são retiradas, em grande parte das vezes, diretamente dos mananciais. As indústrias mineradoras, de alimentos e bebidas, bem como as siderúrgicas são as campeãs de uso de água dos mananciais. No entanto, é na agricultura, em especial nas monoculturas de exportação, como o milho e a soja, que o uso de água dos mananciais é mais significativa no Brasil.

Na antiguidade as principais áreas para cultivo que se desenvolviam às margens dos rios, possibilitavam a utilização de técnicas de irrigação. Na atualidade, os sistemas de irrigação, se modernizaram e contribuíram para a ampliação do número de áreas cultiváveis e de produção. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) estima-se que 70% de toda a água disponível seja utilizada para a irrigação, já no Brasil esse índice chega até 72%, tendo em vista sua grande produção agrícola.

Fontes:

Mananciais - Ministério do Meio Ambiente - https://www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/aguas-urbanas/mananciais.html

Importância dos Mananciais - http://www.fundacaofia.com.br/gdusm/importancia_mananciais.htm

Esgoto - principais estatísticas - http://www.tratabrasil.org.br/saneamento/principais-estatisticas/no-brasil/esgoto

http://www.ebc.com.br/noticias/internacional/2013/03/agricultura-e-quem-mais-gasta-agua-no-brasil-e-no-mundo.

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