Absolutismo na França

Por Antonio Gasparetto Junior
A França destaca-se por seu absolutismo no contexto da História Moderna. O sistema político foi estruturado gradativamente no decorrer de muitos anos para gerar um Estado monárquico reconhecido por sua soberania. O processo teve início ainda no século X, quando chegou ao poder o primeiro monarca da dinastia capetíngia, Hugo, Duque de Francia. A dinastia recebeu este nome porque seu fundador era conhecido popularmente como Capeto em função da capa curta que usava como abade secular. Tornou-se rei após a morte de Luís V por ser o mais importante vassalo da França. Hugo Capeto iniciou uma dinastia que permaneceu no poder por mais de 800 anos.

Luís XIV

Luís XIV

Naturalmente, a dinastia capetíngia sofreu várias ameaças no decorrer dos séculos. Um dos principais eventos que ameaçou a unidade política francesa foi a Guerra dos Cem Anos, ocorrida no final da Idade Média. Iniciada em meados do século XIV, foi formada por vários conflitos intermitentes envolvendo França e Inglaterra. Para ser mais exato, a Guerra dos Cem Anos durou 116 anos e foi a primeira grande guerra a transformar profundamente as relações políticas, econômicas e sociais na Europa.

Já na Idade Moderna, a dinastia dos Valois assumiu a autoridade monárquica em meio às guerras religiosas que tomavam a França. Naqueles anos de ascensão dos reformistas, havia muitos conflitos envolvendo a nobreza católica e os burgueses calvinistas que ameaçavam o poder monárquico. Foi do confronto religioso que se originou uma nova dinastia, a dos Bourbon. Esta foi iniciada por Henrique IV e marcava a vitória dos protestantes nos enfrentamentos religiosos. Seu sucessor foi Luís XIII, que tinha Richelieu como ministro, homem fundamental para a arquitetura do Absolutismo Francês. Ele foi responsável por medidas que ampliaram os poderes da monarquia sobre os comerciantes e por levar a França a uma posição de liderança na Europa. Entretanto se envolveu também na Guerra dos Trinta Anos, uma série de conflitos entre nações europeias por motivos variados que envolviam rivalidades religiosas, dinásticas, territoriais e comerciais. A França se envolveu em conflitos especialmente contra os austríacos da dinastia dos Habsburgo. A vitória francesa enriqueceu os cofres do Estado e garantiu importantes domínios coloniais aos franceses.

Indubitavelmente, o apogeu do Absolutismo Francês ocorreu sob o reinado de Luís XIV. Ele foi preparado para ser rei desde criança e, como regente, sintetizou toda a supremacia monárquica em si mesmo. Ele é o autor da famosa frase “O Estado sou eu”, ícone dos discursos absolutistas. Luís XIV nomeou Colbert como ministro, grande responsável pelo desenvolvimento do mercantilismo e das teorias mercantilistas na Europa. Tais ideias econômicas eram caracterizadas pela forte intervenção do Estado na economia com medidas para unificação do mercado interno. Caracterizadas pela balança comercial favorável, pelo pacto colonial e pelo protecionismo, as ideias mercantilistas influenciaram na formação dos fortes Estados Nacionais Modernos. Luís XIV reprimiu a burguesia e a perseguiu quando contrariava os interesses monárquicos. Seu reinado deixou como legado uma forte tensão entre Estado e burguesia que se intensificaria no decorrer do século XVIII e culminaria na Revolução Francesa de 1789.

O Absolutismo Francês foi um dos mais influentes do mundo, especialmente na Idade Moderna e no reinado de seu maior nome, Luís XIV. É da França que vem o termo Antigo Regime, caracterizado pelo absolutismo monárquico e pela sociedade hierarquizada, que foi combatido e derrubado durante a Revolução Francesa de 1789. Este evento encerrou um modelo político e social excludente e elitista, influenciando mudanças que repercutem até hoje em nossas vidas e que, por sua importância para o Ocidente, é tido como o marco inicial da Idade Contemporânea.

Fontes:
http://www.penelope.ics.ul.pt/indices/penelope_06/06_12_XPujol.pdf
http://www.scielo.br/pdf/ln/n71/01.pdf
http://www.martinsvianna.net/artigos/it1/A_DISTINCAO_ENCICLOPEDIANA_ENTRE_MONARQUIA_ABSOLUTA_E_DEPOSTISMO.pdfhttp://eduemojs.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/10785
http://www.scielo.br/pdf/dados/v53n1/03.pdf
http://egov.ufsc.br/portal/sites/default/files/anexos/33540-43418-1-PB.pdf