América pré-colombiana

Segundo Cardoso, a vinda dos europeus ao continente americano, no século XV e XVI, foi interpretada pelos europeus como a descoberta de novas terras, mas estas terras já eram ocupadas por povos indígenas. Conforme Prous, os primeiros povos da América não foram nem os europeus nem os índios, e estudos em sítios arqueológicos já encontraram vestígios, como os do povo de Lagoa Santa, que datam de, em média, 11.000 anos atrás. Esses vestígios arqueológicos de esqueletos encontrados em Lagoa Santa, por exemplo, apresentam características cranianas que se aproximam de populações australianas e africanas, tanto atuais como do passado, e não tanto de asiáticos atuais.

Os conquistadores europeus destruíram monumentos e obras de arte, queimaram quase todos os códices (manuscritos pré-colombianos encontrados principalmente no México centro-meridional). Segundo Cardoso, a vinda dos europeus a América ocasionou a dizimação dos índios através de epidemias repetidas, escravidão e trabalhos forçados, confisco de terras, ruptura violenta da organização social, familiar, religiosa, cultural. Isto afeta ao acesso a informação sobre as populações pré-colombianas.

As populações a dominarem demograficamente o território americano, entretanto, antes dos europeus, foram os chamados índios, dos quais diversas civilizações se tornaram icônicas, e até hoje interessam aos arqueólogos. Uma delas, os Maias, se desenvolveu e teve seu ápice na região que hoje é o sul do México, e sua história tem, em média, 3.000 anos. Segundo Santos, Neto e Silva, a época Clássica deste povo se deu entre o final do século III e o século IX.

Os aspectos religiosos da cultura Maia eram fortemente ligados à astronomia, e os estudos astronômicos, por sua utilidade, influenciavam várias outras práticas, como, por exemplo, a agricultura. Talvez os Maias sejam justamente famosos pelo seu sistema de calendários. Uma das referências mais importantes para a compreensão dos estudos arqueológicos em sítios Maias é o Códice Dresden, o qual referencia datas de eclipses.

Como em muitas culturas, o desenvolvimento da astronomia acontece intimamente ligado ao desenvolvimento da matemática, e os Maias desenvolveram dois sistemas numéricos, um usado pela alta classe, composta por religiosos, e outro usado pelas demais pessoas.

Outro povo a florescer nas américas foi o dos Anasazi, contando com vestígios que datam do ano 500, e desenvolvimento arquitetônico que, ao final do ano 1.000 construía casas de pedra com significativa complexidade, e possuía rotas comercias e que ligavam o território do atual México com territórios norte-americanos como Arizona, Novo México e Utah. Após o colapso da civilização Anasazi, diversas outras tribos se originaram desta, como os Zuni, que, em 1680, participaram de revoltas contra os espanhóis, e até hoje vivem nas mesmas áreas de seus antepassados.

Diversas culturas, por todo o território americano, floresceram antes da chegada dos europeus. Algumas destas possuíam alta complexidade cultural e social em diversas áreas, como as mencionadas acima, e muitas outras. O homem europeu, ao chegar às Américas, não se deparou com povos primitivos, mas sim com culturas altamente ricas e desenvolvidas.

Bibliografia:

CARDOSO, C. F. S. América pré-colombiana. São Paulo: Brasiliense, 1981. v. 16. 120p.

PROUS, André. O Brasil Antes dos Brasileiros: A Pré-história do Nosso País. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.

SANTOS, Carlos Pereira dos; NETO, João Pedro; SILVA, Jorge Nuno. 10 Livros, 10 Regiões, 10 Jogos para Aprender e Divertir-se: América Pré-Colombiana – Iwathlaknannai. Portugal: Norprint, 2008.

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