Cacau

Mestrado em Ciências Biológicas (INPA, 2015)
Graduação em Ciências Biológicas (UFAC, 2013)

Cacau é uma planta naturalizada e não endêmica do Brasil. Dele se obtém o fruto cacau utilizado como matéria-prima na produção do chocolate.

O fruto cacau, sementes e chocolate. Foto: Africa Studio / Shutterstock.com

O cacau ou cacaueiro (Theobroma cacao L. – família Malvaceae) é uma árvore frutífera perenifólia, nativa da floresta tropical úmida americana (América central e do sul), com principal origem nas nascentes dos rios Amazonas e Orinoco. No Brasil, possui distribuição geográfica com ocorrências confirmadas para os estados do norte (Acre, Amazonas, Amapá, Para e Rondônia) e nordeste (Bahia e Maranhão). Está sob os domínios fitogeográficos da Amazônia e Mata atlântica, ocorrendo em floresta de terra firme, floresta de várzea e em áreas antropizadas. A árvore do cacau mede de 6 a 12m de altura, possui ramos cilíndricos e tomentosos quando jovem. As folhas são alternas, com pecíolo curto, ovais, acuminadas, inteiras, com nervura pinada e discolor. As flores possuem pétalas brancas, amarelas ou róseas, sésseis, pentâmeras, cálice gamossépalo, corola dialissépala. Apresentam caulifloria. Os estames são isostêmones, com 5 estaminódios. O ovário é supero, pentalocular, placentação parietal. O fruto é uma baga ovoide, de cor amarela, variando até o vermelho-escuro, coriaceo-cartilaginoso, sulcado, quase liso e verrucoso. As sementes são ovoides, comprimidas e envoltas por uma polpa aquosa, mucilaginosa e ácida. O cacaueiro apresenta incompatibilidade sexuada o que significa que o pólen de uma flor em uma planta não consegue fecundar os óvulos das flores da mesma planta (autoincompatibilidade) e de outras plantas (interincompatibilidade), necessitando de polinização cruzada. A árvore cacaueira frutifica abundantemente em sua fase jovem indo até a fase madura e mantém uma produção satisfatória.

O chocolate é o produto obtido a partir da mistura de derivados de cacau. A massa de cacau, o cacau em pó e a manteiga de cacau são misturados com outros ingredientes, contendo, no mínimo 25% de sólidos totais de cacau. A parte do fruto utilizada para a produção do chocolate é a semente torrada. O cacaueiro contém em sua constituição química: teobromina, sacarose, glicose, cafeína, mucilagem, tanino, esterol, amido, substâncias nitrogenadas, sais minerais e etc. A ação estimulante e diurética do cacau é devido a teobromina e a cafeína. O cacau é um produto nobre e tradicional da agricultura brasileira e na medicina popular é utilizado no emprego de infusão, decocto, tintura, extrato fluido, supositório, pomada ou creme. Culturalmente o cacau é utilizado como tônico e edulcorante. A manteiga de cacau é utilizada em supositórios, como lenitivo nas inflamações, rachaduras dos lábios e seios e está presente na composição de pomadas e cremes. Os principais países produtores do cacau são a Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Camarões na África, Indonésia, Malásia, Papua Nova Guiné na Ásia, Brasil, Equador e Colômbia na América segundo a World Cocoa Foundation. Doenças de origem fúngica são responsáveis por perda na produção de cacau. A infecção por patógenos contamina ramos, frutos e flores podendo provocar a morte da planta. Quando a lavoura cacaueira é atingida por fitopatógenos, os frutos sofrem deformações, as folhas tornam-se escuras e irregulares, ocorrem lesões nos caules, ramos jovens, tecidos meristemáticos e almofadas florais. O fungo Moniliophthora perniciosa pertence à família fúngica Marasmiaceae e é considerado o mais agressivo patógeno do cacaueiro. Este fungo pode ser manejado através de programas de melhoramento genético no emprego de variedades resistentes e de alta produtividade. O controle de fitopatógenos do cacaueiro por micro organismos endofíticos demonstra excelentes resultados em contraposição ao controle químico. O controle químico gera resíduos tóxicos, a contaminação de plantas, de solos e mananciais e apresenta alto risco a saúde do consumidor. Este fungo também ataca o cupuaçu, que é parente próximo do cacau. Estas duas frutíferas pertencem a mesma família botânica Malvaceae e ao mesmo gênero Theobroma.

Referência bibliográfica:

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