Pré-história brasileira

Segundo Prous foi através de estudos arqueológicos que se tem a informação de que as primeiras populações do continente americano datam do período Pleistoceno final (o Pleistoceno é o período geológico que se estende entre 2.000.000 e 10.000 anos atrás, ao qual sucede o período atual, o Holoceno). Os primeiros estudos de vestígios arqueológicos no Brasil foram realizados por P. Lund, em 1843, ele encontrou ossadas humanas misturadas com as de animais desaparecidos nas cavernas de Lagoa Santa, em Minas Gerais.

Prous relata que para acesso a este período era necessário análise de vestígios culturais (gravuras, pinturas, cerâmicas, esculturas, artefatos para uso cotidiano) e ambientais (clima, vegetação, fauna e topografia, que mudam ao longo do tempo, influenciando as coletividades humanas). Quanto à cultura dos povos da época do Pleistoceno há, por exemplo, vestígios de artes rupestres, como os da tradição Itaparica, onde se encontra pigmentos preparados. Estes, porém, podem não ter sido usados em grafismos, mas em outras práticas. Há também os cemitérios dos povos de Lagoa Santa, conhecidos como Sambaquis, grandes montes constituídos principalmente por cascas de moluscos que se sedimentaram ao longo do tempo. Além disso, alguns pesquisadores acreditam que algumas pinturas em sítios arqueológicos no Piauí possam ser datadas em mais de 10.000 anos.

Dependendo da região que eram ocupadas, no período entre 20.000 e 12.000 anos atrás, algumas áreas, como o litoral, tiveram seus sítios arqueológicos submersos, dificultando a conservação e o acesso à documentação das ocupações. Alguns dos sítios em regiões litorâneas que sobreviveram ao nível do oceano são conhecidos como sambaquis, que ocupam o litoral do Rio de Janeiro até Torres (RS), mas existem outras formas de ocupação, como os cerritos da Tradição Vieira, no Rio Grande do Sul e no Uruguai, e os sítios mais discretos da tradição Itaipu, no litoral do Rio de Janeiro.

Segunda Gabriela Martin, no Brasil não existe um denominador comum para a periodização em pré-história, mas a tendência mais atual é a de se utilizar combinações tecnogeográficas que evitem generalizações difusionistas. Esta perspectiva contra o difusionismo é influência de Annette Laming-Emperaire, que busca evitar terminologias duvidosas, e propôs termos de significado cultural aos quais se pode agregar uma atribuição geográfica e cronológica.

De acordo com Prous, no começo do século XX acreditava-se que os antepassados dos asiáticos haviam migrado recentemente para o território americano, o que justificaria o aspecto próximo ao dos mongóis por parte dos povos indígenas das américas. Paul Rivet, no entanto, já havia notado que os povos de Lagoa Santa, cujos fósseis são os mais antigos no continente, possuíam estruturas cranianas mais próximas às dos australianos, e isso gerou a hipótese de que os primeiros grupos a imigrarem para território americano seriam dos primeiros Homo sapiens, durante sua migração da África para outras regiões.

Bibliografia:

PROUS, André. O Brasil Antes dos Brasileiros: A Pré-história do Nosso País. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.

MARTIN, Gabriela. Pré-história do Nordeste do Brasil. Recife: Editora Universitária UFPE, 2008.