Pré-história brasileira

Mestre em História Comparada (UFRJ, 2020)
Bacharel em História (UFRJ, 2018)

Ouça este artigo:

É denominada pré-história brasileira o período que compreende os séculos anteriores à ocupação dos primeiros colonizadores portugueses. Tal época também ficou conhecida como História Pré-cabralina e acompanha a evolução no território, que hoje compreende o Brasil, e de seus habitantes, permitindo assim descobrir e acompanhar o desenvolvimento de espécies e o surgimento de ferramentas que auxiliaram a existência desses grupos em um tempo remoto.

A descoberta de formas de escritas utilizadas no período é considerada o principal ponto de partida de estudo dos arqueólogos. O descobrimento de diferentes sítios arqueológicos no Brasil possibilitou aos pesquisadores investigações mais precisas sobre o passado pré-histórico nas Américas. Novos estudos apontam que há cerca de 10.000 anos atrás, o território de brasileiro já era ocupado por diferentes populações de caçadores-coletores.

A divisão do período pré-histórico brasileiro é diferente das fases utilizadas ao redor do mundo. Utilizando de Eras Geológicas, os pesquisadores definem dois grandes períodos de estudo: o pleistoceno, compreendendo 12 mil anos atrás, e o holoceno, de 11 mil anos atrás até a primeira embarcação portuguesa atracar em terras brasileiras em 1500.

Evidências arqueológicas indicam que a ocupação na América iniciou há 22.000 anos atrás. No entanto, com o constante avanço do uso de novas tecnologias para análise de fósseis encontrados em escavações e com novas investigações, já se tem o conhecimento de estruturas ósseas com idade estimada em 44.000 anos.

Sítios Arqueológicos Brasileiros

Atualmente, o Brasil possui registrados aproximadamente 700 sítios arqueológicos protegidos por lei federal e sob o controle do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN), de acordo com último levantamento realizado. Dentre os mais conhecidos, o Parque Nacional da Serra da Capivara (Piauí), se destaca por ter a maior concentração de pinturas rupestres do mundo.

Destacam-se também o Sítio Arqueológico do Lajedo de Soledade (Rio Grande do Norte), o Parque Nacional do Catimbau (Pernambuco) e o Sítio Arqueológico Pedra Pintada (Pacaraima, Roraima). Outros importantes sítios no Brasil são: Boqueirão da Pedra Furada (Piauí) e Santana do Riacho (Minas Gerais).

Pinturas rupestres no Parque Nacional da Serra da Capivara (PI). Foto: Janine Moraes / Ministério da Cultura / CC-BY 2.0

Luzia e a Pré-História Brasileira

No sítio arqueológico de Lagoa Santa (Minas Gerais) foi descoberta um dos mais importantes achados da arqueologia mundial. O fóssil de Luzia, como foi nomeado, é considerado o mais antigo já encontrado em escavações e foi descoberto em 1975 por arqueólogos franco-brasileiros. Com idade próxima de 12.000 anos, o crânio encontrado no interior do estado mineiro trouxe novas questões sobre o processo de ocupação em território americano, uma vez que a teoria principal de imigração no período pré-histórico estabelece que a ocupação se iniciou pelo estreito de Bering e seguiu para o sul, levando alguns milhares de anos para ser concluída.

Os traços de Luzia, por serem bem semelhantes aos traços negróides, trouxeram a suspeita de um fluxo migratório com origem no continente da Oceania. Através do estudo dos seus ossos e dos demais objetos encontrados, pesquisadores denominaram o “Povo de Luzia” os primeiros habitantes de tal região, descobrindo que eram coletores de frutos, vegetais e caçadores de animais de pequeno e médio tamanho.

Crânio e rosto reconstituído de Luzia. Foto: Dornicke / Wikimedia Commons / CC-BY-SA 4.0

Povos Sambaquianos

São os grupos que viveram em torno dos Sambaquis, grandes aglomerados de conchas e demais materiais orgânicos e não orgânicos próximos às regiões litorâneas, no período pré-histórico nacional. Com datações que variam de 6 a 3 mil anos atrás, esses grandes montes são utilizados por arqueólogos, geólogos e biólogos para as investigações sobre as formas de sobrevivência no passado.

Por conter mais de um tipo de material em sua estrutura, os sambaquis contam com grandes possibilidades de estudo. Essas populações se alimentavam basicamente de frutos do mar e sementes pequenas, caracterizando-os também como coletores.

Foram localizados sambaquis de até 30 metros de altura, tamanho que só seria possível com anos de sedimentos acumulados. Com isso, percebe-se que os povos sambaquianos foram sedentários e também por não se deslocarem a grandes distâncias para procurar alimentos. Outro fator atrelado aos sambaquis é o de rituais funerários e o uso dessas pequenas montanhas para enterro de corpos e descarte de objetos como pequenas lanças, pedras polidas e pedaços de carvão.

Sambaqui de Santa Marta, em Laguna (SC). Foto: Ana Paula Cittadin / IPHAN

Referências:

BARRETO, Cristiana. A construção de um passado pré-colonial: uma breve história da arqueologia no Brasil. Revista USP, n. 44, p. 32-51, 1999.

FAUSTO, Carlos. Os índios antes do Brasil. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.

Sítios arqueológicos no Brasil. Disponível em https://uc.socioambiental.org/noticia/183048. Acessado em 29/10/2021.

TENÓRIO, Maria Cristina. Pré-História da Terra Brasilis. Rio de Janeiro: UFRJ, 1999.