Assíndeto

Por Paula Perin dos Santos
Chamamos de assíndeto a figura de linguagem que consiste na omissão de conjunções entre orações dispostas em seqüência. Veja o exemplo a seguir, extraído da obra de Cyro dos Anjos:

“Fazia riscos, bordados, mandava vir rendas de Grã-Mogol, cosia com amor, aprendia a arte do bilro”.

Observe que as orações se dispõem em seqüência, separadas por vírgulas. Poderiam vir ligadas pelo conectivo “e”: “cosia com amor [e] aprendia a arte do bilro”; em vez disso, vêm justapostas.

Veja outros exemplos de assíndeto:

“Vim, vi, venci”.

“A tua raça quer partir,
guerrear, sofrer, vencer, voltar”. (Cecília Meireles)

Nos dois exemplos, podemos observar o mesmo recurso expressivo: as orações estão separadas por vírgulas, omitindo-se o conectivo que ligaria as duas últimas orações de cada exemplo: “vi [e] venci”, no primeiro e “vencer [e] voltar”, do segundo verso do poema de Cecília Meireles.

Fontes
SAVIOLE, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15 ed. São Paulo, Ática, 408
TUFANO, Douglas. Estudos de Língua Portuguesa – Minigramática. São Paulo, Moderna, 2007.