Hipérbato

Por Paula Perin dos Santos
“Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco.”

(Gonçalves Dias)

Lendo os versos acima, percebemos que houve uma mudança na ordem dos termos da oração. Não aconteceu apenas uma inversão do sujeito e predicado. O adjunto adnominal “do tamarindo”, comumente localizado após o substantivo “flor”, apareceu no início dos versos. Na ordem direta, estariam na seguinte forma:

“Há pouco a flor do tamarindo abriu-se.”

Nesses versos de Gonçalves Dias ocorre o hipérbato, figura de linguagem que consiste na inversão brusca da posição normal dos termos de uma oração ou das orações de um período.

Leia o seguinte verso de Camões:

“Da lua os claros raios rutilavam”

Na ordem direta, o verso estaria disposto desta maneira:

“Os claros raios da lua rutilavam”.

O hipérbato, a anástrofe e a sínquise são figuras de sintaxe que têm por característica a inversão dos termos da oração ou dos períodos. Alguns gramáticos afirmam que ocorre anástrofe quando a inversão ocorre geralmente entre o sujeito e predicado. No hipérbato, afirmam ser essa alteração mais forte, como no exemplo de Camões. Na sínquise, essa mudança será tão acentuada que prejudicará a compreensão em uma primeira leitura.

Outros exemplos de hibérbato:

“O som longínquo vem-se aproximando

do galopar de estranha cavalgada.”

(Raimundo Correia)

Ordem direta: O som longínquo do galopar de estranha cavalgada vem-se aproximando.

“E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,

Brilhou no céu da Pátria nesse instante”.

Ordem direta: O sol da Liberdade brilhou em raios fúlgidos no céu da Pátria nesse instante.

Bibliografia:
Literatura em Minha casa: Varal de poesia. Vol. 1. São Paulo, Ática, 2002.
MESQUITA, Roberto Melo. Gramática da Língua Portuguesa. 8ed. São Paulo, Saraiva, 2005, p. 565.
SAVIOLE, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15 ed. São Paulo, Ática, 406.