Polioencefalomalácia em Ruminantes

Por Débora Carvalho Meldau
A polioencefalomalácia (PEM) é o termo que designa o diagnóstico morfológico para necrose com amolecimento da substância cinzenta do encéfalo. Esta enfermidade é descrita como sendo nervosa e não infecciosa que afeta ruminantes (bovinos, caprinos, ovinos e bubalinos) e é responsável por grandes perdas econômicas.

Desde 1956 seu aparecimento é relacionado com a deficiência de tiamina (vitamina B1), necessário para a produção de energia celular cerebral, pois essa falta de energia resulta numa necrose neuronal e aumento dos astrócitos (células presentes no sistema nervoso). Esta falta de tiamina está associada ao alto consumo de grãos na ração, mas hoje em dia há estudos que sugerem que a PEM não apresenta mais uma etiologia específica, como exemplo, é a associação do alto consumo de enxofre, intoxicação por sal, privação de água, intoxicação por chumbo, administração de certos anti-helmínticos, administração de análogos da tiamina, ingestão de cadáveres, mudança brusca de pasto, infecção por herpesvírus bovino, entre outras.

Os sinais clínicos observados são associados às lesões primárias no telencéfalo, e também, as secundárias no cerebelo e tronco encefálico. Os principais sintomas são: cegueira total ou parcial, opistótono, nistagmo, estrabismo, depressão, ataxia, bruxismo, sialorréia, estrabismo, decúbito, convulsões, diminuição do tônus da língua e movimentos de pedalagem. No início da doença, o animal pode apresentar-se mais agressivo e excitado; em ovinos e caprinos há o relato de comprometimento da dinâmica ruminal, além dos problemas de ordem neurológica.

O diagnóstico é baseado nos dados epidemiológicos, clínicos, de necropsia e histopatológicos. Uma ferramenta usada no diagnóstico desta doença é a luz ultravioleta que permite a visualização de fluorescência das áreas afetadas. Pode ser feito um diagnóstico terapêutico, através da melhora dos animais tratados com tiamina e corticóides. No entanto, é importante saber que a tiamina é eficiente no tratamento de outras neuropatias.

Quando os animais são tratados no início da doença, pode haver recuperação. O tratamento é feito com a administração intramuscular ou endovenosa de 10-20 mg/kg de tiamina/kg de peso vivo e 0,2 mg/kg de peso vivo de dexametazona, a cada 4-6 horas durante três dias consecutivos.

Quando a causa da doença está associada a uma intoxicação por enxofre, não existe um tratamento específico, é necessário buscar a provável fonte do mineral e eliminá-la da dieta do animal e, em seguida, oferecer alimentos com baixo teor deste mineral. Quando a causa é a intoxicação por sal/ privação de água, é necessário voltar o fornecimento do líquido lentamente. Na intoxicação por chumbo, geralmente não é realizado um tratamento, porém a fonte de chumbo pode ser retirada.

Fontes:
http://www.vallee.com.br/doencas.php/1/55
http://www.revista.inf.br/veterinaria05/relatos/relato11.pdf
http://www.scielo.br/pdf/%0D/pvb/v20n3/2730.pdf

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