Neurotransmissores

Por Débora Carvalho Meldau
Os neurotransmissores são substâncias químicas liberadas pelos neurônios e utilizadas para a transferência de informações entre eles. Embora seja simples esta definição, até pouco tempo atrás havia forte opinião contrária sobre se determinadas substâncias eram ou não neurotransmissores, em consequência das dificuldades metodológicas envoltas na sua identificação e isolamento.

Ilustração: nobeastsofierce / Shutterstock.com

Ilustração: nobeastsofierce / Shutterstock.com

Os mensageiros químicos liberados pelas células variam entre dois tipos: hormônios secretados diretamente no sangue, com ação ampla, e neurotransmissores secretados durante as sinapses, atuando na membrana pós-sináptica que encontra-se próxima ao terminal nervoso. Outras substâncias com propriedades neurotransmissoras não são classificadas com tanta facilidade.

A maior parte dos neurotransmissores encontra-se em três categorias: aminoácidos, aminas e peptídeos. Os dois primeiros são moléculas orgânicas diminutas, apresentando, no mínimo, um átomo de nitrogênio, armazenadas e secretadas nas vesículas sinápticas. Sua produção se dá no terminal do axônio a partir de precursores metabólicos existentes neste local. As enzimas relacionadas na síntese de tais neurotransmissores são fabricadas no corpo celular das células nervosas e encaminhadas até o terminal neuronal, promovendo neste local, velozmente, a síntese desses mediadores químicos.

Após sintetizados, os neurotransmissores aminoácidos e aminas são transportados para as vesículas sinápticas, liberando seu conteúdo por meio do processo de exocitose. Por conseguinte, esta membrana é recuperada por meio de endocitose e a vesícula reciclada é reabastecida com neurotransmissores.

Os neurotransmissores peptídeos são compostos por grandes moléculas guardadas e liberadas em grânulos secretores. A produção desse tipo de neurotransmissor se dá no reticulo endoplasmático rugoso do corpo celular do neurônio. E seguida à sua síntese, são clivados no aparelho de Golgi, passando a ser neurotransmissores ativos, sendo estes, secretados pelos grânulos secretores e encaminhados ao terminal neuronal para, futuramente, serem liberados na fenda sináptica.

Diversos neurônios do sistema nervoso central (SNC) liberam também diferentes neurotransmissores, sendo estes do tipo liga-desliga de efeitos instantâneos. Normalmente, as sinapses rápidas do SNC apresentam como mediador os neurotransmissores aminoácidos, como o glutamato, ácido Ƴ-aminobutírico (GABA) e glicina, podendo estar relacionado à transmissão de até 90% da totalidade das transmissões sinápticas no SNC.

A amina acetilcolina é responsável por mediar a sinapse rápida em todas as junções neuromusculares. As transmissões mais lentas de transmissão sináptica no SNC e na periferia são mediadas por neurotransmissores das três categorias.

Em resumo, atualmente, para uma substância ser considerada neurotransmissora, ela deve apresentar quatro características básicas:

  • Deve ser sintetizada no neurônio;
  • Deve ser encontrada na terminação pré-sináptica e secretada em quantidades suficientes para agir no neurônio pós-sináptico ou no órgão efetor;
  • Deve imitar a ação do transmissor endógeno, quando for aplicada exogenamente;
  • Deve apresentar mecanismo específico para sua remoção.

Leia também:

Fontes:
http://www.drashirleydecampos.com.br/noticias/19736
http://fisiologia.med.up.pt/Textos_Apoio/outros/Neurotransmissores.doc

Farmacologia Aplicada à Medicina Veterinária – Helenice de Souza Spinosa, Silvana Lima Górniak e Maria Martha Bernardi; 4° edição. Editora Guanabara Koogan, 2006.

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