Foro de São Paulo

Por Emerson Santiago
O "Foro de São Paulo" (FSP) é um canal destinado ao encontro e debate envolvendo os vários partidos políticos e organizações não governamentais de esquerda da América Latina e Caribe.

Sua ideia surgiu em julho de 1990 durante uma visita feita por Fidel Castro a Lula em São Bernardo do Campo, e foi formalizada quando 48 organizações, partidos e frentes de esquerda da América Latina e do Caribe, atendendo a convite do Partido dos Trabalhadores, reuniram-se na cidade de São Paulo visando debater a nova conjuntura internacional pós-queda do Muro de Berlim em 1989, elaborar estratégias para fazer face ao embargo dos Estados Unidos a Cuba e unir as forças de esquerda latino-americanas no debate das consequências da adoção de políticas neoliberais por boa parte dos governos à época.

Os objetivos do FSP estão expressos na "Declaração de São Paulo”, documento final aprovado no primeiro encontro em 1990. Os participantes manifestaram a "vontade comum de renovar o pensamento de esquerda e o socialismo, de reafirmar seu caráter emancipador, corrigir concepções errôneas, superar toda expressão de burocratismo e toda ausência de uma verdadeira democracia social e de massas." Desde então, o FSP tem acontecido a cada um ou dois anos, em diferentes cidades da América Latina.

A declaração salienta ainda a solidariedade à Revolução Cubana à Revolução Sandinista bem como apoio às tentativas de desmilitarização e de solução política da guerra civil de El Salvador, além de se solidarizar com os povos andinos.

O documento manifesta "compromisso ativo com a vigência dos direitos humanos e com a democracia e a soberania popular como valores estratégicos, colocando as forças de esquerda, socialistas e progressistas frente ao desafio de renovar constantemente seu pensamento e sua ação".

No encontro seguinte, no México, em 1991, surgiu a ideia de o FSP trabalhar também por uma maior integração continental, por meio do intercâmbio de experiências, da discussão das diferenças e da busca de consenso para ação entre as esquerdas. Os encontros seguintes reafirmaram esta disposição para o diálogo entre as esquerdas ao mesmo tempo em que, no cenário continental, crescia a influência dos partidos integrantes do Foro de São Paulo na política interna, a partir da eleição de presidentes afinados com suas visões em vários países.

Segundo a organização, atualmente mais de 100 partidos e organizações políticas compõem os encontros.  As posições ideológicas variam dentro de um largo espectro, incluindo partidos social-democratas, organizações comunitárias, movimentos sindicais e sociais inspirados pela Igreja Católica, grupos étnicos e ambientalistas, organizações nacionalistas, partidos comunistas e grupos guerrilheiros. Estes últimos, porém, a exemplo das FARC, embora não tenham sido formalmente banidos do Foro, têm tido seu acesso eventualmente dificultado. Atualmente, Lula se afastou da direção do Foro de São Paulo, dando mais espaço à atuação do venezuelano Hugo Chávez.

Bibliografia:
Foro de São Paulo. Disponível em <http://www.vermelho.org.br/editorial.php?id_secao=16&id_editorial=791>. Acesso em: 25 fev. 2012.