Braquissemia - Processo de Formação de Palavras

A braquissemia é um processo de formação de palavras que não se encaixa na derivação, nem na composição. Ela surgiu por conta da flexibilidade da língua, em seu uso real e concreto, e foi quase excluída da linguagem formal, já que expressa a subjetividade de quem fala.

Lemos (1991:174) define a braquissemia como “o emprego de parte de um vocábulo pelo vocábulo inteiro”, ou seja, há uma supressão de morfemas que podem ocorrer através das seguintes alterações fonéticas:

1. Aférese: queda de um fonema inicial ou de uma parte inicial da palavra. Ex: Você e Senhor dão por aférese ce e nhô, no português não-padrão.

2. Síncope: desaparecimento de um ou mais fonemas no interior do vocábulo. Ex. Vossa Mercê = vosmicê= você; a passagem do latim calidus para caldo também se deve a este fenômeno.

3. Apócope: queda de um ou mais fonemas no fim do vocábulo. Ex.: cinema e foto vêm por apócope, de cinematógrafo e fotografia.

O resultado dessas alterações fonéticas não muda o sentido da palavra, antes passam a ter o mesmo valor semântico do todo que provinham. A braquissemia pode ocorrer tanto em formas compostas, como microcomputador – micro e minissaia – mini, como pode ocorrer em forma assistemática, ou seja, é imprevisível saber qual parte da palavra será suprimida. Ela não deve ser confundida com abreviação vocabular, que é a representação de uma palavra através de algumas sílabas ou letras.

Este fenômeno também pode acontecer com os nomes próprios personativos, os antropônimos (exemplo: Cristiana= Cristóvão + Eliana), na linguagem familiar que produz carinho, os hipocorísticos (exemplo: Cadú= Carlos Eduardo) e em nomes próprios referentes a marcas industriais, os oniônimos (exemplo: Nescau= Nestlé + cacau).

Outro processo de formação de palavras muito semelhante à braquissemia é a derivação regressiva, que não deve ser confundida, porque na derivação regressiva há a supressão de um fonema, que dá origem a uma nova palavra, embora as gramáticas normativas dêem maior preocupação às derivações regressivas deverbais, ou seja, àquelas formadas a partir de verbos, já que são os casos mais freqüentes na língua portuguesa.

Fontes
MONTEIRO, José Lemos. Morfologia portuguesa. Campinas, Pontes, 1991, p. 174-5.

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