Sujeito inexistente

Por Emerson Santiago
Recebe o nome de sujeito inexistente ou oração sem sujeito aquela oração que possui somente um predicado, formado por um verbo impessoal, que surge na terceira pessoa do singular (com exceção do verbo ser). Assim, numa oração de sujeito inexistente, a mensagem passada é focada no verbo e na informação contida nele.

A classificação de sujeito inexistente é questionada por alguns especialistas da língua portuguesa, pois, um sujeito ou existe, ou não existe. Pensando desse modo, seria incoerente classificar um sujeito como inexistente. Se não existe, não há razão para estabelecer uma classificação própria para esta modalidade. Por isso mesmo, muitos optam pela nomenclatura "oração sem sujeito".

Um ponto importante a ser destacado é que não podemos pensar na modalidade sujeito inexistente como um sinônimo de frase onde não há a pratica da ação do verbo por nenhum sujeito. Caso fosse assim, orações como "Ele não saiu de casa", "Ninguém acertou a resposta" e "Aluno algum se manifestou", deveriam ser classificadas como orações sem sujeito, já que se ele não saiu, de certo modo, ninguém praticou uma ação ligada ao verbo; se ninguém acertou, não houve a ação de acertar; se aluno algum se manifestou, ninguém praticou a ação do verbo "manifestar". Na verdade, os exemplos acima possuem sujeito simples.

Com relação ao sujeito inexistente, podemos classificar as suas diferentes formas através dos verbos impessoais:

1. Verbos que indicam fenômenos da natureza, que se referem a fenômenos meteorológicos, como amanhecer, chover, escurecer, esquentar, gear, nevar, relampejar, ventar.

Choveu muito em Florianópolis.

Amanheceu.

O sujeito existe e concorda com o verbo quando os verbos que indicam fenômenos da natureza são empregados em sentido figurado:

“De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.” (Vinícius de Moraes)

2. Verbo haver no sentido de existir ou acontecer:

Havia pouca gente na reunião.

Na cidade havia locais interessantes.

Houve várias interrupções.

3. Verbos que indicam tempo decorrido ou fenômenos meteorológicos como ser, estar, fazer e haver.

São cinco horas.

Levante, está tarde!

4. Verbos fazer e haver indicando tempo:

Faz dois meses que não vou pra casa.

Há muito tempo não fazia tanto frio assim.

5. Verbo fazer indicando um fenômeno da natureza:

Fez muito vendo durante a tempestade.

6. Verbo Ser indicando distância:

São mais de trinta metros.

A distância entra a Terra e o Sol é de mais de 150 milhões de km.

7. Verbo ser indicando tempo:

É tarde, vou pra casa.