Deficiência Mental

Por Ana Lucia Santana
O complexo conhecido como deficiência mental aponta para problemas que se situam no cérebro e causam baixa produção de conhecimento, provocando no paciente uma dificuldade de aprendizagem e um baixo nível intelectual. Porém, com exceção do espectro cognitivo, esta deficiência não atinge outras funções cerebrais. Entre as causas mais comuns deste transtorno estão os fatores de ordem genética, as complicações ocorridas ao longo da gestação ou durante o parto e as pós-natais. O grande enigma que se coloca diante dos pesquisadores é como detectar ainda na vida dentro do útero estas características, já que em grande parte dos casos estudados foi praticamente impossível localizar o problema. No entanto, mais de duzentas doenças têm como conseqüência provável a eclosão de uma deficiência mental.

Como a deficiência mental está entre as síndromes consideradas anormais, é importante definir o que é normal para os especialistas, que padrões referenciais eles adotam para estabelecer a presença deste problema no paciente. O fator mais associado à concepção de normalidade é a capacidade do indivíduo de se adequar ao objeto ou ao seu universo. Mas geralmente este distúrbio psíquico é considerado como uma condição relativa da mente, pois algumas limitações mais moderadas só serão definidas como Deficiência Mental, se uma determinada cultura ou sociedade atribuir a elas um grau patológico, na comparação com o desempenho mental dos outros indivíduos deste mesmo grupo social.

Os pacientes acometidos por este transtorno já foram chamados de excepcionais, até mesmo de deficientes, e hoje são denominados de portadores de necessidades especiais, o que reflete de certa forma a evolução dos pontos de vista sociais sobre estes indivíduos. O tratamento deles deve incluir o acompanhamento simultâneo do médico, do fisioterapeuta, da terapia ocupacional, do fonoaudiólogo, do psicólogo, do pedagogo, entre outros. Assim, é possível amenizar as conseqüências deste problema. O diagnóstico precoce também é fundamental para oferecer ao paciente uma melhor qualidade de vida e resultados mais eficientes – estas técnicas de detecção prematura, efetuadas por vários profissionais ligados aos campos da reabilitação e da puericultura, ramo da medicina que ensina a criar e a desenvolver moral e fisicamente as crianças, são conhecidas como Avaliação do Desenvolvimento e Estimulação Precoce.

Como a criança com deficiência mental tem suas funções intelectuais comprometidas, ela pode também ter dificuldades em seu desenvolvimento e no seu comportamento, principalmente no aspecto da adequação ao contexto a que pertence, mas igualmente nas esferas da comunicação, do cuidado consigo mesma, dos talentos sociais, da interação familiar, da saúde, na segurança, no desempenho acadêmico, no lazer e no campo profissional. Este distúrbio manifesta-se no paciente sempre no estágio anterior aos dezoito anos de idade. Assim fica claro que, ao contrário da Demência, a Deficiência Mental se caracteriza pelos transtornos no desenvolvimento, não por degenerações cognitivas.

É importante não confundir Deficiência Mental com Doença Mental. O portador de necessidades especiais mantém a percepção de si mesmo e da realidade que o cerca, sendo capaz de tomar decisões importantes sobre sua vida. Já o doente mental tem seu discernimento comprometido, caracterizando um estado da mente completamente diferente da deficiência mental, embora 20 a 30% dos deficientes manifestem algum tipo de ligação com qualquer espécie de doença mental, tais como a síndrome do pânico, depressão, esquizofrenia, entre outras. As doenças mentais atingem o comportamento dos pacientes, pois lesam outras áreas cerebrais, não a inteligência, mas o poder de concentração e o humor.

Embora seja possível identificar a maior parte dos casos de deficiência mental na infância, infelizmente este distúrbio só é percebido em muitas crianças quando elas começam a freqüentar a escola. Isso acontece porque esta patologia é encontrada em vários graus, desde os mais leves, passando pelos moderados, até os mais graves. Nos casos mais sutis, os testes de inteligência direcionados para os pequenos não são nada confiáveis, torna-se então difícil detectar esse problema. Nos centros educacionais as exigências intelectuais aumentam e aí a deficiência mental torna-se mais explícita.

Um mito em torno da Deficiência Mental, e isso influi no diagnóstico, é acreditar que a criança portadora deste problema tem a aparência física diferente das outras. Como foi dito acima, as de grau mais leve não aparentam ser deficientes, assim não se deve esperar encontrar este sinal clínico para caracterizar o paciente como portador de necessidades especiais. Pode-se encontrar uma exceção nos que acusam um distúrbio mais grave e severo, assim como na Síndrome de Down, que apresentam em comum fisionomias semelhantes.

Fontes:
http://gballone.sites.uol.com.br/infantil/dm1.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Deficiência_mental
http://www.saci.org.br/?modulo=akemi&parametro=1675