Igreja Adventista

Por Ana Lucia Santana
A Igreja Adventista do Sétimo Dia se baseia na crença do retorno de Jesus ao planeta Terra, e surgiu entre 1850 e 1860, ao mesmo tempo, na América do Norte e na Europa. Em 1812, foi publicado um livro que se tornou um antecedente desta concepção – La Venida Del Mesias em Gloria y Majestad. Ela surgiu a partir do Movimento Millerita – idéias religiosas que têm como fonte os ensinamentos do fazendeiro William Miller, pregador da Igreja Batista nos Estados Unidos, no século XIX -, que estavam no auge em 1840.

Porque seus membros se referem ao sétimo dia? Justamente por ser este o marco temporal que eles crêem ter sido fixado pelo Criador para o repouso humano, tanto de Deus quanto do homem. Eles se concentraram no estudo do Velho Testamento e, no Êxodo 20, encontraram a referência para determinar o sábado como dia consagrado ao descanso: “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho; mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum. (...) Porque em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia do sábado, e o santificou”.

Miller estudou com afinco a Bíblia após ingressar na Igreja Batista. Com o livro sagrado nas mãos, ele examinou exaustivamente o Apocalipse e, nos capítulos oito e nove, deparou com passagens que o levaram a crer que em dois anos, ou seja, em 1840, o Império Turco-Otomano seria derrubado. Justamente neste período este poderoso conglomerado sofreu um forte abalo. A partir daí, várias pessoas de outras religiões aderiram a este grupo espiritual, que se tornou conhecido como Adventismo ou Millerismo. Embora seu líder não estipulasse uma data precisa para o retorno de Cristo, ele e seus seguidores acreditavam que ele reapareceria entre a primavera de 1843 e a de 1844. Quando estas expectativas foram frustradas, o pastor Samuel Snow levantou a hipótese de que sua vinda se daria, pelo calendário hebraico, no outono deste mesmo ano – 22 de outubro de 1844, considerado dia do juízo. Mas isto não ocorreu, e este momento de decepção coletiva foi marcado como o dia do grande desapontamento. Miller voltou então para a Igreja Batista.

Embora vários núcleos se dissolvessem após este fracasso das previsões, alguns grupos prosseguiram nas pesquisas, realizando novos cálculos, tornando-se então conhecidos como adventistas. No ano de 1860, eles passaram a ser chamados Adventistas do Sétimo Dia, embora só em 21 de maio de 1863 essa identidade fosse assumida oficialmente. Nesta época eles já contavam com aproximadamente 125 igrejas e 3500 adeptos.

No Brasil estes ensinamentos foram primeiramente divulgados por meio de folhetos que circulavam entre imigrantes alemães e austríacos em Santa Catarina, São Paulo e Espírito Santo. Grande parte destes impressos era enviada ao país por meio de navios, barcos a vapor ou a remo; outros eram transportados em carros de boi ou nos lombos de burros. Muitos jovens, após a leitura de um livro muito popular neste período, O Grande Conflito, da autora Ellen White, ficaram impressionados com alguns relatos bíblicos, principalmente os livros de Daniel e do Apocalipse, e iniciou-se a partir deste momento uma série de batismos. O primeiro deles ocorreu em Piracicaba, interior de São Paulo, em abril de 1895 – Guilherme Stein Júnior foi o primeiro convertido. A primeira igreja no país foi, porém, fundada no Sul, em Gaspar, Santa Catarina, neste mesmo ano.

Em nosso país a primeira Escola Adventista foi criada em 1896, em Curitiba. Desde então esta igreja já possui 393 instituições de ensino fundamental e 118 de ensino médio, somadas a seis faculdades, que têm seu principal centro em São Paulo, conhecido como Centro Universitário Adventista de São Paulo – UNASP -, criado em 1915 na cidade de Capão Redondo. Atualmente a Universidade ganhou mais três campus – em São Paulo, Engenheiro Coelho e em Hortolândia.

No começo esta religião não tinha uma doutrina definida, embora seus adeptos cressem na Bíblia como única fonte de conhecimento e de crença. O avanço doutrinário foi lento e persistente. Dois anos depois da grande decepção, surgiram os adeptos que guardavam o sábado como o dia do Senhor; alguns anos depois, se fixou um mecanismo de dízimos e ofertas. Somente em 1863 definiu-se concepções como a abstinência de álcool e cigarro, e o discernimento entre animais puros e os considerados impuros. A crença na fé como salvação apareceu depois, em 1888, quando também foi elucidada a questão do desempenho da Lei e da Graça Divina na existência cristã. Eles acreditam em vinte e sete princípios essenciais, entre eles a fé na Bíblia e na Trindade; o respeito ao sábado como dia santificado e de repouso; pecado; luta entre Jesus e o Diabo; Jesus como um ser humano encarnado, morto e ressuscitado; eles são o povo escolhido por Deus para testemunhar o Evangelho; reformas na área da saúde, entre outros.

Atualmente esta religião disseminou-se de uma forma impressionante por todo o planeta, atingindo mais de 11 milhões de adeptos. A Igreja Adventista revela uma estrutura institucional poderosa, que conta com escolas, universidades, hospitais, clínicas, centros recreativos, editoras, meios de comunicação, indústrias de alimentos, entre outros.