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Igreja Adventista

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A Igreja Adventista reúne denominações cristãs protestantes que têm como crença central o advento, isto é, a segunda vinda de Jesus Cristo à Terra, que os fiéis consideram próxima. A maior e mais conhecida delas é a Igreja Adventista do Sétimo Dia, organizada oficialmente nos Estados Unidos em 1863 e presente hoje em mais de 200 países. No Brasil, quase todo mundo conhece alguém que estudou em colégio adventista ou que não trabalha aos sábados por motivo religioso.

William Miller e o movimento millerita

As raízes do adventismo estão no movimento millerita, surgido na América do Norte na primeira metade do século XIX. Seu nome vem de William Miller, um fazendeiro e ex-militar que se converteu e passou a frequentar a Igreja Batista. Miller estudou a Bíblia durante anos, com atenção especial às profecias dos livros de Daniel e do Apocalipse, e chegou à conclusão de que Cristo voltaria por volta de 1843 ou 1844.

A pregação ganhou força na década de 1840 e atraiu dezenas de milhares de pessoas de várias igrejas. Ideias parecidas sobre a volta iminente de Jesus também circulavam na Europa e na América Latina; um dos textos que anteciparam essa expectativa foi La venida del Mesías en gloria y majestad, do jesuíta chileno Manuel Lacunza, publicado postumamente em 1812.

O Grande Desapontamento de 1844

Miller evitava cravar uma data exata. Quando a primavera de 1844 passou sem nenhum sinal, o pregador Samuel Snow defendeu, a partir do calendário judaico, que o retorno aconteceria em 22 de outubro de 1844. Muitos fiéis venderam bens, deixaram colheitas no campo e se reuniram para esperar.

Nada aconteceu. O dia entrou para a história como o Grande Desapontamento. Boa parte dos seguidores abandonou o movimento, e o próprio Miller nunca aderiu às igrejas que surgiriam depois. Pequenos grupos, porém, continuaram estudando as profecias e reinterpretaram o episódio: para eles, a data marcava não a volta de Cristo à Terra, mas o início de uma nova fase de sua obra no céu.

A organização da Igreja Adventista do Sétimo Dia

Entre esses grupos estavam Ellen G. White, seu marido James White e o ex-capitão Joseph Bates. Bates defendia a guarda do sábado, e não do domingo, como dia de descanso. O argumento vinha do quarto mandamento, em Êxodo 20: “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho; mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus”.

É daí que vem o nome “do sétimo dia”. O nome foi adotado em 1860, e em 21 de maio de 1863 a igreja foi organizada formalmente em Battle Creek, no estado de Michigan, com cerca de 125 congregações e 3.500 membros. Ellen White, considerada pelos adventistas uma profetisa, escreveu dezenas de livros, entre eles O Grande Conflito, um dos mais lidos da denominação.

Crenças e estilo de vida

A doutrina foi sendo construída aos poucos. Logo após 1844 consolidou-se a guarda do sábado, que vai do pôr do sol de sexta ao pôr do sol de sábado. Depois vieram o sistema de dízimos e ofertas, a abstinência de álcool e tabaco e a distinção entre animais “limpos” e “imundos”, inspirada no livro de Levítico. Por isso adventistas não comem carne de porco nem frutos do mar, e muitos são vegetarianos. Em 1888, um congresso em Minneapolis deu destaque à ideia da salvação pela fé.

Hoje a igreja resume sua doutrina em 28 crenças fundamentais. Entre elas estão a Bíblia como única regra de fé, a Trindade, o batismo por imersão, o sábado como dia sagrado, a volta literal de Jesus e a visão de que os mortos permanecem inconscientes até a ressurreição. A preocupação com a saúde é tão forte que pesquisadores costumam citar a comunidade adventista de Loma Linda, na Califórnia, como exemplo de população com longevidade acima da média.

Os adventistas no Brasil

A mensagem adventista chegou ao Brasil no fim do século XIX, por meio de livros e folhetos em alemão que circulavam entre imigrantes alemães em Santa Catarina, São Paulo e Espírito Santo. Parte desse material vinha nos navios; o resto seguia pelo interior em carros de boi e no lombo de burros.

O primeiro batismo adventista no país foi o de Guilherme Stein Júnior, em Piracicaba (SP), em 1895. Pouco depois foi organizada a primeira igreja, em Gaspar Alto, Santa Catarina, e em 1896 surgiu em Curitiba a primeira escola adventista. A educação virou uma das marcas da denominação: em 1915 foi fundado o colégio que deu origem ao Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), no bairro do Capão Redondo, que hoje também tem campi em Engenheiro Coelho e Hortolândia.

Atualmente, a Igreja Adventista do Sétimo Dia está entre as maiores denominações protestantes do Brasil. Além de templos, mantém escolas, faculdades, hospitais, uma editora (a Casa Publicadora Brasileira), a TV Novo Tempo e a empresa de alimentos Superbom. No mundo, são mais de 20 milhões de membros batizados.

Referências

Arquivado em: Religião