Plaquetas

Pós-Doutorado Ciências Biológicas (UNESP, 2013)
Doutorado em Ciências Biológicas (UNESP, 2009)
Graduação em Ciências Biológicas (UNESP, 2005)

As plaquetas ou trombócitos são fragmentos celulares provenientes de células gigantes poliploides localizadas na medula óssea chamadas megacariócitos. Estes corpúsculos celulares possuem forma discoide com diâmetro variável entre 2 e 4μm e são responsáveis pela coagulação sanguínea e auxiliam na reparação da parede dos vasos sanguíneos. Em indivíduos normais existem entre 150 mil a 450 mil plaquetas por microlitro de sangue, sendo que seu tempo médio de vida é de dez dias. Em preparações de esfregaço de sangue, as plaquetas usualmente aparecem aglutinadas e apresentam coloração azul-clara.

Os trombócitos possuem um sistema de canais que se comunica com invaginações da membrana plasmática permitindo que o interior dela se comunique facilmente com a sua superfície facilitando a liberação de moléculas ativas que são armazenadas em seu interior. A porção marginal dessas células possui uma rede de microtúbulos que auxiliam o corpúsculo a manter a sua forma oval. Fora da membrana plasmática há uma camada rica em glicoproteínas e glicosaminoglicanos responsáveis pela sua adesividade. O citoplasma é divido em duas regiões: 1) o hialômero, região mais clara localizada na periferia rica em microfilamentos de actina e moléculas de miosina, responsáveis pela contração da plaqueta e pela emissão de finos prolongamentos chamadas de filopódios; 2) o granulômetro, região mais central que apresenta grânulos delimitados por membrana, mitocôndrias e glicogênio.

Estas células possuem função essencial no processo de coagulação do sangue num processo chamado hemostasia que tem como função impedir a hemorragia (perda se sangue). Este processo envolve a contração da musculatura lisa dos vasos sanguíneos estimulada pela serotonina liberada pelas plaquetas e aglutinação dessas células.

Quando ocorre alguma lesão no endotélio de um vaso sanguíneo, proteínas presentes no plasma sanguíneo são absorvidas pelo colágeno presente na lesão e as plaquetas presentes no sangue se agregam sobre as margens da lesão formando um tampão plaquetário. Em seguida, as plaquetas do tampão liberam um indutor de agregação plaquetária fazendo com que mais plaquetas se juntem ao tampão. Durante o processo de agregação, fatores do plasma sanguíneos, dos vasos lesionados e das plaquetas promovem uma cascata de reações envolvendo proteínas plasmáticas que originam uma rede fibrosa tridimensional formada por fibrina que prende as hemácias, leucócitos e plaquetas originado um coágulo sanguíneo. No início da formação, o coágulo apresenta-se como uma calosidade voltada ao interior do vaso, porém, através da ação da actina, miosina e ATP presentes na plaqueta, acaba se retraindo e ocupando um volume menor que o inicial. Após a reparação do tecido danificado o coágulo é removido pela ação plasmina e outras enzimas liberadas pelo lisossomo das plaquetas.

Um aumento no número de plaquetas (trombocitose) pode indicar inflamação ou trauma e a baixa no número de plaquetas (trombocitopenia) é geralmente causada por tratamentos farmacológicos prolongados ou doenças como a dengue.

Bibliografia
Histologia básica I L.C.Junqueira e José Carneiro. - [12 . ed]. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.
Abraham L. Kierszenbaum. Histologia e Biologia celular, Uma introdução à patologia. 3ª edição. Elsevier, 2012

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