Embolia

Por Débora Carvalho Meldau
Embolia (proveniente do grego embolé = choque, ação de retrair), também conhecido como embolismo, é a obliteração de um vaso sanguíneo ou linfático, à custa de elementos anormais e insolúveis, carregados pela corrente sanguínea ou pela linfática. O elemento anormal e insolúvel transportado pelo sangue ou linfa, responsável por tal obstrução, recebe o nome de êmbolo.

O êmbolo pode ser formado pelos mais variados elementos, como: trombos desprendidos de seu local de origem, grumos bacterianos, bolhas gasosas, pequenos projéteis de arma de fogo, agulhas, entre outros.

Evidentemente, os êmbolos que surgem na circulação venosa não deveriam passar à arterial, nem vice-versa, isto porque há a interposição de redes capilares entre as duas circulações. Entretanto, o fenômeno da passagem de êmbolos de uma circulação para outra pode ocorrer e é denominado de embolismo paraxodal e pode ser explicado através de três processos: pela persistência do buraco de Botal, permitindo a intercomunicação das duas circulações; pelas anastomoses arteriovenosas; pela circulação venosa pré-vertebral, formada de veias avalvuladas.

Dentre todos os tipos de êmbolos, os principais são:

  • Trombos: trombos que se destacam do seu local de origem e caem na circulação sanguínea podem obstruir vasos. Se o vaso é arterial e não existe circulação colateral, o infarto, isto é, a necrose isquêmica, é a consequência de tal obliteração.
  • Células neoplásicas: os tumores malignos se propagam para órgãos distantes, por um mecanismo de embolismo (metástase). Entretanto, nem todas as células que caem na circulação sanguínea ou linfática produzem metástases. Parte dessas células é destruída.
  • Bactérias: o aparecimento de êmbolo bacteriano são responsáveis por abscessos e infecções metastáticas.
  • Gordura: êmbolos gordurosos podem ocorrer após fraturas ósseas ou após intervenções cirúrgicas sobre planos adiposos. No primeiro caso a gordura provém da medula óssea. Tais êmbolos são freqüentemente pulmonares e a gordura chega aos pulmões.
  • Gases: ocorre em procedimentos cirúrgicos que envolvam circulação extracorpórea e craniotomia, exames diagnósticos, infusoterapia e trauma pulmonar por ventilação mecânica. O gás pode apresentar-se nos condutos artérias, situação em que ele obstrui o fluxo sanguíneo em nível arteriolar, resultando em eventos isquêmicos, ou venosos, onde o gás obstrui a circulação pulmonar.
  • Parasitos: larvas de certos helmintos são encontradas no sangue circulante atuando como êmbolo.
  • Células: pode ocorrer em mulheres grávidas, onde células sinciciais da placenta destacam-se, podendo alcançar o pulmão. Embolias de células hepáticas nos pulmões são conhecidas nos traumatizados. Pessoas que recebem transfusão sanguínea incompatível também podem apresentar êmbolos de células sanguíneas.

As consequências das embolias variam de acordo com o tipo de êmbolo e podem ser:

  • A obliteração sofrida pelo vaso pode não ser total e desse modo se estabelecem simples insuficiências circulatórias locais.
  • Uma vez detido o êmbolo pelo vaso, sobre aquele se desenvolve um trombo secundário, que muitas vezes o mascara.
  • Se a obstrução do vaso é total e a circulação colateral insuficiente, ocorrem infartos.
  • Se o êmbolo é purulento, aparecem os abscessos metastáticos.
  • Se os êmbolos são constituídos de bactérias patogênicas com vitalidade, surgem os focos sépticos secundários.
  • Se os êmbolos são de células cancerosas, surgem as metástases das neoplasias.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Embolia
http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?174
http://emedix.uol.com.br/doe/ang003_1f_emboarterial.php
Patologia Geral dos Animais Domésticos (Mamíferos e Aves) – Jeferson Andrade dos Santos. 1° edição.