Compostagem

Mestre em Ecologia e Manejo de Recursos Naturais (UFAC, 2015)
Graduada em Ciências Biológicas (UFAC, 2011)

A compostagem é o processo biológico de transformação de resíduos orgânicos em substâncias húmicas pela ação de microrganismos, principalmente bactérias. Essa decomposição da matéria orgânica ocorre naturalmente no ambiente, mas o termo “compostagem” refere-se à decomposição associada à manipulação feita pelo homem, que ao observar o que ocorria na natureza, desenvolveu métodos para acelerar e melhorar o processo e produzir adubo orgânico. A decomposição da matéria orgânica ocorre na presença de oxigênio (aeróbia) ou na ausência (anaeróbia). Entretanto, procura-se oferecer um ambiente aeróbico para a realização da compostagem, o que torna a decomposição mais rápida. Além disso, quando o processo acontece em condições anaeróbicas, ocorre a liberação de odores e gases do efeito estufa.

Os materiais que podem ser compostados são divididos em duas classes, a dos materiais ricos em carbono (materiais castanhos), que incluem cascas de árvores, folhas e galhos secos, podas dos jardins, palha, etc., e a dos materiais ricos em nitrogênio (materiais verdes), que são as folhas verdes, restos de legumes, frutas e verduras, cascas de ovos, borras de café, restos de comida, etc. A relação carbono/nitrogênio é fundamental para o processo, pois os microrganismos precisam desses nutrientes para a realização de suas atividades metabólicas. Os materiais para compostagem não devem incluir plásticos, vidros, metais, óleos, tintas, laticínios, excesso de carnes e gorduras, etc.

Para a realização da compostagem primeiro deve-se amontoar o material a ser compostado na forma de pilha ou leira, ou em composteira, dependendo do espaço disponível. A escolha do local onde será realizada a compostagem deve levar em consideração principalmente a ocorrência de sol e sombra, proteção contra ventos e boa drenagem, para que não haja excesso de água. Os materiais devem estar em pequenos pedaços, mas não podem ser muito pequenos para evitar a compactação. Recomenda-se que a primeira camada seja de material seco (galhos, folhas).

Os principais fatores que influenciam no processo de compostagem são: temperatura, oxigênio e umidade. As variações na temperatura são resultado da atividade dos microrganismos. É desejável que a temperatura esteja elevada nos primeiros dias do processo, depois ela diminui naturalmente. O oxigênio é fundamental para a manutenção dos microrganismos que degradam a matéria, por isso os materiais devem ser revolvidos periodicamente para oxigenar o meio. Os microrganismos também necessitam de umidade, mas o excesso de água é prejudicial. Se os materiais estiverem muito secos, eles deverão ser regados com água, e se houver excesso de umidade, recomenda-se a utilização de resíduos secos.

O tempo de decomposição varia de acordo com a temperatura, umidade e quantidade e tipo de material, mas geralmente esse tempo é de 120 a 130 dias. Ao final do processo, o produto formado (composto orgânico) apresenta coloração escura (marrom ou quase preta), é solto e tem cheiro de terra. Esse composto é rico em nutrientes e pode ser aplicado em jardins, hortas e na agricultura em geral, principalmente em solos pobres em nutrientes.

As vantagens da compostagem são muitas, entre elas: possui baixo custo, permite uma destinação correta aos resíduos orgânicos agrícolas, industriais e domésticos, contribui para a melhoria da qualidade do solo e do desenvolvimento das plantas, reduz a utilização de fertilizantes químicos e a contaminação ambiental e diminui significativamente a quantidade de resíduos orgânicos destinados aos aterros sanitários.

Compostagem. Foto: M. Cornelius / Shutterstock.com

Referências:

Wangen, D. R. B. & Freitas, I. C. V.; Compostagem doméstica: alternativa de aproveitamento de resíduos sólidos orgânicos. Rev. Bras. de Agroecologia. 5(2): 81-88, 2010.

Custódio, B. P. Manual Prático de Compostagem. Garibaldi: Secretaria Municipal do Meio Ambiente, 2011.