Aterro sanitário

Mestre em Ecologia e Evolução (Unifesp, 2015)
Graduada em Ciências Biológicas (Unifesp, 2013)

Quando uma pessoa coloca o lixo para fora de sua casa, o problema pode até aparentemente acabar para ela, evitando mau cheiro ou que animais indesejáveis sejam atraídos para sua residência. Mas, ao fazer isso, a pessoa apenas se distancia do problema, que, se olharmos de forma mais ampla, está apenas começando. Se o lixo pode trazer incômodo numa escala tão pequena como uma única residência, imagine só o impacto que o acúmulo de resíduos de milhões de residências pode causar ao meio ambiente. A geração excessiva de lixo é um dos maiores problemas causados pela sociedade moderna e sua disposição final deve ser feita de forma adequada a fim de evitar a contaminação do meio ambiente e a disseminação de doenças. É por isso existem leis que regulamentam que a destinação final dos resíduos.

Embora os lixões — que são locais onde o lixo é depositado a céu aberto, diretamente no solo, sem qualquer medida ambiental ou sanitária — ainda sejam uma realidade no Brasil, o número de municípios que ainda depositam os resíduos sólidos nestes locais vem diminuindo a cada ano. Segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída em 2010, o prazo para que os lixões fossem substituídos por aterros sanitários era 2014, mas como muitos municípios não conseguiram se adequar, ele foi prorrogado para entre 2018 e 2021.

Caminhão movimentando lixo em um aterro sanitário. Foto: Jaggat Rashidi / Shutterstock.com

Os aterros sanitários, ao contrário dos lixões, são espaços preparados seguindo princípios de engenharia para receber resíduos sólidos urbanos e confiná-los no menor espaço e volume possíveis, de forma a reduzir os impactos ambientais e não causar danos à saúde pública. O projeto de qualquer aterro sanitário deve seguir as normas recomendadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Nos aterros, os resíduos são compactados no solo na forma de camadas que são recobertas com solo regularmente, a fim de conter o mau cheiro e a atração de animais. Entre os inúmeros problemas causados pelo lixo está a produção de chorume (líquido extremamente contaminante) e de gases de efeito estufa como resultado da decomposição da matéria orgânica. Para lidar com a produção de chorume (também conhecido como lixiviado ou percolado) e impedir que ele se infiltre e atinja águas subterrâneas, o solo dos aterros deve ser impermeabilizado — ou por geomembranas de polietileno de alta densidade (PEAD), ou por uma camada de argila compactada — e o líquido coletado por um um sistema de captação e encaminhado para um sistema de tratamento. Para evitar que a água da chuva se infiltre, contribuindo com a produção do chorume, os aterros também requerem um sistema de captação e drenagem de águas pluviais. Além disso, estes locais devem contar com dutos captadores de gases a fim de conter explosões e combustões espontâneas e também evitar a dispersão desses gases para atmosfera, os quais podem, inclusive, ser utilizados para geração de energia.

Os aterros também devem possuir meios de controle do acesso ao local (cercas, guaritas, portaria), a fim de evitar a entrada de animais e controlar a entrada e saída de pessoas e caminhões de lixo, vias de acesso interno que sejam transitáveis, cinturão verde ao redor, além de diversos outros componentes complementares. Por fim, diversos parâmetros ambientais devem ser monitorados tanto durante a operação como após o encerramento do funcionamento do aterro, de forma a atender aos órgãos de controle ambiental e à legislação.

Referências:

Aterro sanitário. Cetesb. Acesso em: julho/2018.

Elk, A. Redução de emissões na disposição final. Mecanismo de desenvolvimento limpo aplicado a resíduos sólidos. 2007.

Consumo sustentável: Manual de educação. Brasília: Consumers International/ MMA/ MEC/ IDEC. 2005.