Líquido sinovial

Graduação em Fisioterapia (Faculdade da Serra Gaúcha, FSG, 2014)

O líquido sinovial é um fluído corporal de grande importância na composição do organismo. Caracteriza-se por um líquido viscoso, filtrado do plasma a partir da membrana sinovial, onde as células dessa membrana secretam um mucopolissacarídeo, tendo em sua composição ácido hialurônico e uma pequena quantidade de proteínas de alto peso molecular (como fibrinogênio e globulinas). Essa filtragem plasmática se diferencia apenas em relação às proteínas com alto peso molecular, porém a composição tem em sua essência a mesma composição bioquímica do plasma. O líquido sinovial é um dos elementos formadores do sistema locomotor, juntamente com as estruturas ósseas, músculos, ligamentos, tendões e demais estruturas.

Ilustração de uma junção articular, com o líquido sinovial. Ilustração: joshya / Shutterstock.com

O fluído sinovial tem como principais funções a lubrificação de estruturas articulares móveis e transportar nutrientes para a cartilagem articular, permitindo assim a funcionalidade e movimentação suave e indolor do sistema locomotor. Geralmente a quantidade aproximada de líquido sinovial nas cavidades articulares encontra-se em torno de 3.4ml, podendo aumentar conforme as patologias ou disfunções que o indivíduo poderá vir a apresentar.

O líquido sinovial contém em sua composição mucina, albumina, gordura e sais minerais. Os elementos citológicos que compõem o líquido sinovial normalmente são: linfócitos, monócitos, neutrófilos, células sinoviais, ragócitos (células RA), lipófagos, células LE. Podem apresentar cristais decorrentes de patologias como: monourato de sódio (gota), pirosfosfato de cálcio (pseudogota), hidroxiapatita, colesterol, dentre outros componentes.

A quantidade de fluído sinovial nas articulações pode aumentar devido a patologias autoimunes, lesões mecânicas, químicas ou bacterianas. Essas patologias acabam alterando a permeabilidade da membrana e capilares sinoviais, provocando diversos graus de resposta inflamatória. O líquido sinovial normal não coagula, porém quando ocorre um processo patológico pode conter alta quantidade de fibrinogênio e fatores proteicos de coagulação, podendo assim formar pequenos coágulos.

A partir da artrocentese, nome dado para a coleta ambulatorial de líquido sinovial, pode servir de diagnóstico para diversas patologias. No exame microscópico, serão observados os seguintes componentes: contagem global de hemácias e leucócitos, contagem diferencial de leucócitos e pesquisa de cristais. Os elementos citológicos habitualmente encontrados são: linfócitos, monócitos, neutrófilos, células sinoviais, ragócitos e lipófagos. Quando ocorrem a presença de cristais, os mesmos podem ser compostos de: monourato de sódio, pirofosfato de cálcio, hidroxiapatita, colesterol ou mesmo artefatos. No exame bioquímico são analisados níveis de glicose, proteína total e ácido úrico.

As alterações decorrentes da artrocentese podem indicar processos inflamatórios conclusivos para o diagnóstico da artrite, juntamente com outros exames, podendo ser classificadas como:

  • Grupo I (não inflamatório): osteoartrite, traumático, osteocondrite, osteoartropatia neuropática;
  • Grupo II (inflamatório): artrite reumatoide, síndrome de Reiter, febre reumática, espondilite anquilosante, enterite regional, colite ulcerativa, psoríase;
  • Grupo III (infeccioso): bactérias, fungos, bacilo de Koch;
  • Grupo IV (cristal induzido): gota, artropatia associada a apatita, doença de depósito de cristais de pirofosfato de cálcio;
  • Grupo V (hemorrágico): trauma, hemofilia, hemangioma, uso de anticoagulantes.

As patologias diagnosticadas a partir da artrocentese podem ser tratadas a partir de condutas conservadoras (medicamentosa), podendo ou não estar associada ao movimento, podendo este ser realizado através da fisioterapia convencional, técnicas específicas para reeducação do movimento, bem como mobilizações, reforço muscular através do pilates, musculação terapêutica, treinamento funcional, hidroterapia, natação e atividades que possam facilitar o movimento, diminuir o quadro álgico e oportunizar melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes portadores das patologias anteriormente citadas. Tais patologias podem se manifestar de forma leve à severa, podendo gerar diversos níveis de comprometimento, desde estados leves onde ocorrem crises álgicas esporádicas, até situações onde o paciente se torna totalmente dependente para manter-se ativo em suas atividades de vida diária. Para prevenir tais intercorrências, também são importantes manter bons hábitos alimentares e uma rotina regular de atividades físicas.

Referências

NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

TORTORA, Gerard J. Corpo Humano – Fundamentos de Anatomia e Fisiologia. Porto Alegre. 4ª ed. Artmed Editora. 2000.