António Lobo Antunes

O escritor, cronista, médico, com especialização em psiquiatria, António Lobo Antunes, nasceu na cidade de Lisboa, em Portugal, no dia 1 de setembro de 1942. Formado pela Faculdade de Medicina de Lisboa, ao longo da etapa final da Guerra Colonial portuguesa, em Angola, ele foi convocado para servir no Exército, de 1970 a 1973. As experiências aí vividas foram fonte de inspiração para seus livros, principalmente Memória De Elefante, Os Cus De Judas e Conhecimento do Inferno, de 1980, todos de natureza autobiográfica, abordando as vivências da Guerra.

Voltando para Portugal, ele exercitou seu ofício no Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda, na capital portuguesa; militou na APU, Aliança Povo Unido, organizada no interior do Partido Comunista Português, em 1980; a publicação de seus primeiros livros o converteu em um dos escritores mais conhecidos e debatidos, abordado em seu país e no exterior nos mais variados estudos, acadêmicos ou não.

Hoje ele reside em Lisboa, totalmente devotado à literatura. Sua obra - Explicação dos Pássaros, Fado Alexandrino, Auto dos Danados, As Naus, Tratado das Paixões da Alma, A Ordem Natural das Coisas, A Morte de Carlos Gardel, O Manual dos Inquisidores, O Esplendor de Portugal, Exortação aos Crocodilos, Não Entres Tão Depressa Nessa Noite Escura, Que Farei Quando Tudo Arde, Boa Tarde às Coisas Aqui Em Baixo, Eu Hei-de Amar uma Pedra, Ontem Não te Vi em Babilônia, e o seu mais recente romance O Meu Nome é Legião, publicado em 2007, além de três livros de crônicas – foi agraciada com uma infinidade de prêmios, entre eles o Prêmio Europeu de Literatura (Áustria), o Prêmio Ovídio (Romênia), o Prêmio Internacional de Literatura da União Latina (Roma), o Prêmio Rosalía de Castro (Galiza), o Prêmio Jerusalém de Literatura, o Prêmio Iberoamericano das Letras José Donoso e o Prêmio Camões, o mais ilustre da esfera literária portuguesa.

A Editora Objetiva conquistou o direito de lançar em solo brasileiro toda a obra deste notável escritor. O autor, de ascendência brasileira – seu avô é proveniente de Belém – cresceu familiarizado com os livros de José de Alencar, Aluísio Azevedo, Machado de Assis e Monteiro Lobato.

O autor aborda em sua literatura a transição do regime conhecido como Estado Novo para a instauração da Democracia, com o final da Guerra Colonial e a queda do universo da burguesia, e consequentemente de sua mentalidade ultrapassada. Ele enfoca também as dificuldades advindas das velozes transformações sociais ocorridas após a Revolução dos Cravos, e toda a falta de estabilidade política vivida pelos portugueses neste período, a qual reflete diretamente nas interações familiares em seus livros.

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