Joseph Campbell

No dia 26 de março de 1904, na cidade de White Plains, em Nova Iorque, nascia Joseph John Campbell, futuro pesquisador de mitologia e religião comparada. Primogênito do casal de classe média católico, Charles e Josephine Campbell, apaixonou-se pela cultura dos índios norte-americanos logo aos oito anos, quando o pai o levou para assistir um espetáculo do Velho Oeste de Búfalo Bill. Não foram os vaqueiros que o arrebataram, mas sim a presença de um índio desnudo, com o ouvido encostado à terra, portando em suas mãos um arco e flecha.

Ainda criança, visitou também o Museu Americano de História Natural, quando se deparou com um quadro, no qual estavam dispostas as coleções dos produtos manufaturados pelos ameríndios americanos. Essas experiências o levaram a estudar profundamente as diversas faces da cultura indígena dos EUA, o que o conduziu às pesquisas mitológicas que o tornariam célebre. Em suas observações, Joseph estabeleceu a identidade entre as mais diferentes tradições culturais.

Embora a princípio ele tenha optado pelos estudos biológicos e matemáticos, as Ciências Humanas exerceram sobre ele o irresistível fascínio que, desde cedo, o atraíra ao conhecimento mais profundo dos mitos. Assim, ele se mudou para a Universidade de Columbia, na qual se graduou em Literatura Inglesa, em 1925, e defendeu seu mestrado em Literatura Medieval, em 1927.

Apesar de cultuar a religião de sua família até os vinte anos, Campbell já mergulhava fundo nas tradições indígenas. Sua forma de ver a vida provinha, assim, da sua formação católica e de seu ponto de vista ameríndio. Uma parte de si mesmo tinha necessidade de praticar seu legado religioso irlandês, a outra se sentia magnetizado pela riqueza cultural dos nativos americanos, por sua conexão transcendental e imanente com o Cosmos.

Em uma viagem rumo à Europa, com uma bolsa de estudos na bagagem, ele trava conhecimento com o jovem Jiddu Krishnamurti, messias-eleito da Sociedade Teosófica, importante vínculo que ele manteria por pelo menos cinco anos. Neste período ele estuda francês antigo e Sânscrito na Universidade de Paris e na Universidade de Munique.

No continente europeu ele é intensamente inspirado por artistas pertencentes à chamada Geração Perdida, como James Joyce e Thomas Mann. Aí também ele é apresentado à Arte Moderna, especialmente à obra de Paul Klee e de Picasso. Campbell encontra a teoria freudiana e a obra de Carl Jung, influências decisivas em seus trabalhos posteriores, que postulam o papel fundamental da mente humana na elaboração criativa dos mitos e a participação ativa dos artistas na concepção de mitos culturais.

De volta aos EUA, em 1929, vê seus projetos de Doutorado serem rejeitados pela Academia, abandonando assim qualquer idéia de se doutorar. Durante a época conhecida como Grande Depressão, Campbell se dedica, ao longo de cinco anos, a pesquisas pessoais, sem nenhum vínculo acadêmico. Desta forma ele aprofundou os conceitos de Freud e de Jung. Logo depois ele publicou os primeiros textos da Eranos – grupo de debates que se devota a pesquisas sobre a Espiritualidade, reunindo-se todos os anos na Suíça desde 1933.

Joseph Campbell casou-se com uma ex-aluna, Jean Erdman, dançarina e professora de dança, em 1938. Ele recebeu sua aposentadoria em 1972, após lecionar por 38 anos na Sarah Lawrence College. Depois de produzir uma vasta obra, na qual se destacam O Herói de Mil Faces, As Máscaras de Deus e O Poder do Mito, o qual deu origem ao documentário de mesmo nome, Campbell morreu aos 83 anos, no dia 30 de outubro de 1987, na própria casa, em Honolulu, no Havaí, vítima de problemas provocados por um câncer no esôfago, logo após o final das gravações de seu filme.

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