Maureen Bisilliat

A fotógrafa Sheila Maureen Bisilliat, mais conhecida como Maureen Bisilliat, nasceu em Englefield Green, um vilarejo localizado a nordeste do condado de Surrey, na Inglaterra, no ano de 1931, fruto da união entre a artista plástica Sheila Brannigan e um diplomata. Ela cursou pintura em 1955, na cidade de Paris,  com o escultor e pintor cubista francês André Lhote, seguindo inicialmente os passos maternos.

Em 1957 ela passou a estudar arte em Nova York, na Art Students League, com Morris Kantor, pintor russo de naturalização norte-americana. Neste mesmo ano Maureen se estabeleceu decisivamente no Brasil, país que ela conheceu em 1952, transformando São Paulo em sua residência fixa.

Maureen encontrou no solo brasileiro a identidade que tanto buscava em sua vida nômade, uma vez que, por conta do ofício paterno, viva sempre mudando de um lugar para outro. Sua paixão por este país foi tão fulminante, que ela decidiu se naturalizar brasileira, optando assim por esta raiz nacional.

A artista substituiu a pintura pela fotografia no começo da década de 60. Nesta ocasião ela atuou na Editora Abril, entre os anos de 1964 e 1972, na revista Quatro Rodas e também no célebre veículo conhecido como Realidade, no qual seu trabalho como fotojornalista conquista primazia.

No final deste período ela segue ao lado de seu segundo esposo, o francês Jacques Bisilliat, e do arquiteto Antônio Marcos Silva, uma nova empreitada, a criação da Galeria de Arte Popular O Bode, entre 1972 e 1992. Nesse mesmo intervalo de tempo a artista percorre o território brasileiro à procura de obras de criadores e artesãos de cunho popular, para assim edificar o patrimônio desta instituição.

Em 1988 Maureen, seu marido e o sócio são requisitados pelo antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro para contribuírem na constituição do conjunto de obras de arte popular da América Latina da Fundação Memorial da América Latina, localizada na cidade de São Paulo. Com o objetivo de encontrar trabalhos desta natureza, eles viajaram pelo México, Guatemala, Equador, Peru e Paraguai.

O resultado desta busca pode ser conferido na coleção fixa do Pavilhão da Criatividade do Memorial, onde Maureen atua como curadora desde esta época. Entre suas produções fotográficas destacam-se as obras baseadas em ícones da literatura brasileira: A João Guimarães Rosa, de 1966; A Visita, de 1977, inspirada no poema de mesmo título de Carlos Drummond de Andrade; Sertão, Luz e Trevas, de 1983, sobre Os Sertões, clássico de Euclides da Cunha; O Cão sem Plumas, de 1984, fundamentado no poema de mesmo nome de João Cabral de Melo Neto; Chorinho Doce, de 1995, composto com poemas de Adélia Prado; e Bahia Amada Amado, de 1996, constituída por fragmentos de Jorge Amado.

A artista recebeu uma bolsa da John Simon Guggenheim Memorial Foundation, instituição norte-americana, em 1970; do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, no qual atuou entre 1981 e 1987; da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo, de 1984 a 1987; e da Japan Foundation, em 1987. No final de 2003, sua produção fotográfica integral, constituída por mais de 16.000 ícones, foi englobada pelo acervo de fotografia do Instituto Moreira Salles.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Maureen_Bisilliat
http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=2768
http://en.wikipedia.org/wiki/Andr%C3%A9_Lhote
http://en.wikipedia.org/wiki/Morris_Kantor

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