William Blake

O poeta, pintor, tipógrafo e gravador inglês William Blake nasceu no dia 28 de novembro de 1757, na 28ª Broad Street, no bairro do Soho, em Londres. Seu pai era um próspero negociante e sua mãe zelava pela formação dos filhos. Precocemente ele teve acesso ao Livro Sagrado, o qual se constituiu em seu principal manancial criador, além de marcar profundamente sua existência.

O garoto revelou logo cedo a tendência visionária e mística. Sua primeira visão se manifestou aos nove anos, quando ele afirmou ter visualizado anjos enfeitando galhos de árvores com lantejoulas. Algum tempo depois, ao contemplar trabalhadores arranjando feixes de feno, ele viu entidades angelicais andando entre eles.

Desde pequeno Blake tinha real apreço pelos livros e pelos desenhos. Ele ingressou em uma escola de desenho aos dez anos. Pouco depois já estampava reproduções de imagens de objetos antigos gregos, adquiridos por seu pai; e também compunha e ilustrava seus próprios poemas. Quatro anos depois ele conquistou a posição de aprendiz do célebre gravador James Basire, com quem William sempre manteve um relacionamento agradável e sereno.

Ele permaneceu neste estágio até completar 21 anos, convertendo-se ao longo deste período em exímio especialista na técnica da estamparia. Entre as várias tarefas empreendidas neste meio tempo, prepondera a impressão de ícones das igrejas góticas de Londres, especialmente da Igreja Westminster Abbey. Seu estilo de pintar, posteriormente, seria concebido como pintura fantástica.

O poeta viveu em meio a um contexto marcante da história; foi contemporâneo do Iluminismo e da Revolução Industrial inglesa. O ofício literário vigente era o clássico conhecido como ‘augustano’, que preconizava um estado de bem-aventurança para quem se adaptava bem às tradições sociais em voga. Mas Blake era um espírito rebelde, indomável, um romântico que via além das aparências, tudo o que muitas pessoas se recusavam a aceitar, como a miséria, as injustiças sociais, o poder maléfico do clero e do governo.

Blake se tornaria um dos maiores poetas do Romantismo inglês. Sua poética era a manifestação natural de um ser extremamente talentoso e inventivo. Ele recorria normalmente aos versos brancos, característicos da época Elizabetana. A partir de 1784 ele inicia a publicação de sua poesia - Song of Innocence e The Book of Thel; logo depois nasce um de seus clássicos, The Marriage of Heaven and Hell. Além de escrever, ele gravava e imprimia suas obras, sempre assessorado por sua mulher, Catherine Boucher, com quem ele contraiu matrimônio em 1782. O poeta transmite a sua companheira a riqueza do conhecimento, educando-a na leitura, na escrita e nas técnicas tipográficas.

Blake seria sempre um inconformado por natureza, um contestador da jornada acelerada da Ciência e da Razão, assim não era compreendido e bem aceito pelas pessoas de sua época, que nele viam um excêntrico. Consequentemente o autor nunca fez fortuna com sua obra, de cunho místico e profético, dependendo sempre dos companheiros para atenuar sua penúria.

Sua pintura foi quase sempre marcada pela impressão realizada com a ajuda de pratos de cobre por ele imersos em cautério, parte de uma metodologia conquistada, segundo o artista, em um sonho. Esta técnica foi utilizada, por exemplo, no seu trabalho The Ancient of Days. William criou e ilustrou mais de vinte publicações, entre eles O Livro de Jó, inserido nas Sagradas Escrituras, e A Divina Comédia, de Dante Alighieri – ao qual ele se devotou até a sua morte, chegando até mesmo a aprender a língua italiana para melhor traduzir o universo de Dante em suas imagens.

Blake morreu trabalhando na Divina Comédia, embora já estivesse muito doente. Seu féretro foi financiado pelo supervisor do trabalho que ele estava realizando antes de sua morte. Embora pobre, o escritor morreu sem deixar nenhum débito pendente. Hoje um ramo do catolicismo, a Igreja Gnóstica Católica, o reconhece como santo. Na Austrália foi criada uma premiação em sua honra, entregue uma vez por ano, o Blake Prize for Religious Art – Prêmio Blake para Arte Sacra.

Fontes
http://pt.wikipedia.org/wiki/William_Blake
http://virtualbooks.terra.com.br/livros_online/willian_blake/wb_bio.htm

Arquivado em: Biografias, Escritores, Pintura