Algas verdes

Doutorado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica-SP, 2012)
Mestrado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica-SP, 2007)
Graduação em Ciências Biológicas (Universidade de Guarulhos, 2003)

Atualmente, a classificação biológica para as algas verdes juntamente com antóceros, hepáticas e musgos (antigamente reconhecidas em único grupo como briófitas) as reúnem em um grupo referido por Viridiplantae (viridófitas ou plantas verdes). As características que agrupam estes organismos, ou seja, os caracteres que estes grupos possuem comum são o tipo de clorofila a e b armazenada em plastos (cloroplastos); o tipo de parede celular constituído por celulose, hemicelulose e substâncias pécticas; a semelhança dos gametas flagelados e dados de sequências moleculares. Estudos filogenéticos separam as algas verdes em dois grandes grupos: um constituído apenas por algas verdes, as clorófitas e o outro, estreptófitas, composto por algumas algas verdes e as plantas terrestres (embriófitas).

Sistemas tradicionais de classificação agrupavam os organismos de acordo com as características morfológicas (aparência externa). Com o avanço da tecnologia os estudos aumentaram e forneceram conhecimento com relação a dados provenientes de microscopia eletrônica (ultraestruturais), como o tipo de gametas, ou de divisão celular como a mitose. Além de dados moleculares, ou seja, estudos que permitem o conhecimento das moléculas de ácido nucleico (DNA e RNA). Assim, para o grupo de algas verdes se reconhecem muitos grupos, com os principais divididos em três classes: Clorophyceae (clorófitas), Ulvophyceae (clorófitas) e Charophyceae (estreptófitas), esta última se insere no mesmo grupo que as demais plantas terrestres e estão representadas por duas grandes ordens Charales e Coleochaetales, além de outras algas relacionadas.

Existem cerca de 17.000 espécies bastante diversificadas com relação à morfologia e histórico de vida. A maioria das algas verdes é encontrada em ambientes de água doce. Contudo, há registros em solos, superfície de neve, água salobra, salinas, cinzas vulcânicas e em associação simbiótica com fungos originando líquens; além de outras associações com celenterados e esponjas.

Morfologia e características gerais

A maioria das algas verdes é microscópica e habitam ambientes de água doce; existem as marinhas referidas por macroalgas, cujo talo pode ser filamentoso, ou parenquimatoso. A substância de reserva energética é o amido, carboidrato armazenado nos cloroplastos. A seguir estão representados os tipos de talos das três principais classes:

  • Chlorophyceae: apresentam algas unicelulares, com ou sem flagelo; colônias móveis ou não; filamentosas e formando talos laminares (sistema organizado em camadas de células).
  • Ulvophyceae: a maioria apresenta talo filamentoso ou laminar, mas há aquelas macroscópicas e multinucleadas.
  • Charophyceae: apresentam algas unicelulares, coloniais, filamentosas e parenquimatosas.

Ciclo de vida

Os tipos de reprodução variam conforme o grupo e o tipo de talo. Desta forma, a representação a seguir serve como exemplo do ciclo de vida de um gênero da classe ChlorophyceaeChlamydomonas sp (alga unicelular móvel) – figuras 1 e 2.

Figura 1: Chlamydomonas globosa (Chlorophyceae). Foto de microscopia, as setas apontam os flagelos. Foto: Picturepest / via Wikimedia Commons / CC-BY-SA 2.0

 

Figura 2: Desenho esquemático demonstrando as estruturas de uma alga verde. Ilustração: Kicky_princess / Shutterstock.com

 

Reprodução assexuada (figura 3b): ocorre divisão mitótica no interior da alga e, geralmente, este núcleo se divide em até 16 células-filhas. Após o desenvolvimento de uma parede ao redor do núcleo e o flagelo, cada célula-filha produz uma enzima que rompe a parede da célula-mãe e se dispersando no ambiente.

Reprodução sexuada (figura 3a): há fusão de dois indivíduos distintos geneticamente através dos gametas flagelados. Esta fusão ocorre por plasmogamia (fusão dos protoplastos) seguida pela cariogamia (fusão dos núcleos), que resulta na formação do zigoto diploide (2n). Os flagelos encurtam-se até desaparecerem e no lugar forma-se uma parede espessa e o zigoto se torna um zigósporo, que fica em um período de dormência. Após este período, o zigoto se divide por meiose (meiose zigótica) originando quatro células haploides (n), as quais formarão dois novos flagelos e prontas para se reproduzirem de maneira assexuada, ou sexuada.

Figura 3. Ciclo de vida sexuado (a) e assexuado (b) de Chlamydomonas sp. Ilustração:r Aldona Griskeviciene / Shutterstock.com

Bibliografia recomendada:

http://tolweb.org/Eukaryotes/3 (consultado em julho de 2018)

http://tolweb.org/Green_plants/2382 (consultado em julho de 2018)

Bicudo, C.E.M. & Menezes, M. (orgs.) 2006. Gênero de Algas Continentais do Brasil (chave para identificação e descrições). Ed. Rima, 2ª. edição, São Carlos, SP. 502p.

Evert, R.F. & Eichhirn, S.E. 2014. Raven/ Biologia Vegetal. 8ª edição, Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, pp.278-316

Judd, W.S., Campbell, C.S., Stevens, P.F. & Donoghue, M.J. 2009. Sistemática vegetal: um enfoque filogenético. Artmed, 3ª. edição, Porto Alegre, RS. 632p.

Lee, R.E. 2008. Phycology. 4ª edição, Cambridge University Press, New York. 561pp.

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