Biologia forense

Mestre em Zoologia (UESC, 2013)
Graduado em Ciências Biológicas (UEG, 2010)

Nos últimos anos, os seriados ganharam muito espaço na televisão e nas mais diversas mídias, e um gênero que ficou bastante famoso foi o dos seriados com temática investigativa. Dentre esses o CSI - (Crime Scene Investigation) se destacou, por apresentar cientistas forenses usando seu conhecimento para solucionar crimes. A palavra forense tem sua origem na palavra foro, que é o local que abriga o Poder Judiciário, ou seja, o órgão que tem o poder de julgar as situações e crimes apresentadas.

Nesse contexto, a ciência forense surge para utilizar todo o conhecimento científico disponível para auxiliar na solução de casos criminais e legais, reunindo e analisando de forma mais detalhadas e precisas possível. As ciências forenses envolvem várias áreas do conhecimento, como física, química e claro, a biologia. Como a biologia pode ajudar na solução de crimes?

O biólogo forense tem como função coletar evidências biológicas que auxiliem na solução de crimes. Um dos ramos mais utilizados na biologia forense é a entomologia. Entomologia é o estudo dos insetos, sendo assim, na biologia forense a entomologia contribui ao estudar insetos e artrópodes associados à cenas de crime e questões criminais. Como isso funciona?

O entomólogo forense é cuidadoso na sua análise. Foto: Couperfield / Shutterstock.com

Após a morte, todo organismo passa pelo estágio em que ele começa a se decompor. Com a morte o metabolismo deixa de existir, os órgãos perdem as funções logo não há mais regeneração e renovação celular, o que faz com que os tecidos e células comecem a perecer. Esse processo de decomposição é realizado e acelerado por microrganismos, e também por alguns animais, dentre eles, os principais são os artrópodes. Provavelmente, quando você viu algum material orgânico em decomposição, sejam animais mortos ou comida deixada no lixo por um período de tempo, você notou a presença de larvas. Acontece que muitos artrópodes depositam seus ovos nesses materiais, para que, ao nascerem, suas larvas tenham uma boa fonte alimentar por perto. A esses artrópodes, que se alimentam de matéria orgânica em decomposição, especialmente de matéria animal, nós damos o nome de artrópodes necrófagos. Dentre esses, os insetos ocupam um lugar de destaque, especialmente espécies de moscas e besouros. Como insetos necrófagos podem ajudar a solucionar crimes?

Como dito, a maioria dessas espécies depositam os ovos em cadáveres, sendo assim, ao analisar um cadáver que tenha larvas, o biólogo forense consegue determinar há quanto tempo ele está morto, baseando-se na idade e tamanho das larvas e assim confirmar o intervalo post-mortem, ou seja, o intervalo desde que a pessoa morreu até o momento em que foi encontrada e/ou analisada. Uma outra informação que pode ser obtida com o estudo de insetos necrófagos é o do local do crime. Em alguns casos, o cadáver pode ser sido transportado de um local para o outro na intenção de ocultar o crime. Nesses casos, o biólogo forense analisa as espécies de larvas encontradas, pois, como insetos geralmente tem área de vida curta, ele pode encontrar espécies que não ocorrem no local onde o cadáver foi encontrado, conseguindo assim determinar, através das larvas, a região onde aquele indivíduo foi morto.

Os estudos de biologia forense no Brasil iniciaram-se no ano de 1908, principalmente através do trabalho de dois cientistas: Oscar Freire e Edgard Roquette Pinto. Esses dois pesquisadores começaram a observar a relação entre os insetos necrófagos e cadáveres humanos. Já na história, o primeiro caso considerado de biologia forense foi no século XIII, na China, onde descobriram o assassino de um lavrador degolado por moscas pousarem em sua foice atraídas pelo sangue da vítima.

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Referências:

Pujol-Luz, J. R., Arantes, L. C., & Constantino, R. (2008). Cem anos da entomologia forense no Brasil (1908-2008). Revista Brasileira de Entomologia52(4), 485-492.

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