Célula caliciforme

Mestrado em Ciências Veterinárias (UFU, 2013)
Graduação em Ciências Biológicas (UEG, 2010)

Células caliciformes são unidades especializadas na produção de muco no revestimento do lúmen de alguns órgãos. Elas são células epiteliais originalmente colunares, mas que possuem formato de cálice quando preenchidas por grânulos de muco, por isso, a denominação “caliciformes” – em forma de cálice. Esse formato varia de acordo com a quantidade de seu conteúdo interno. Essas células são também denominadas células goblet, termo em francês que também significa “cálice”.

Estrutura básica de uma célula caliciforme. Ilustração: Sakurra / Shutterstock.com

É possível reconhecer as células caliciformes no microscópio óptico em uma preparação histológica com Hematoxilina e Eosina (HE). Elas aparecem no tecido espalhadas na superfície de revestimento do lúmen, com o núcleo no polo basal da célula, devido a compressão causada pelo preenchimento por seu conteúdo mucoso. Esse conteúdo aparece com os aspecto bem claro e bem evidente no contraste com as outras células epiteliais.

Quanto a classificação básica dos tecidos epiteliais, as células caliciformes são classificadas como glândulas exócrinas unicelulares. Elas liberam seu conteúdo pelo polo apical da célula.

Essas células estão presentes no revestimento respiratório e digestório e na conjuntiva do olho. Nesses tecidos elas produzem o mucina que forma o muco em contato com a água, uma substância de consistência fluida gelatinosa que desempenha diversas funções.

A mucina é um polissacarídeo, de forma que o citoplasma das células caliciformes é constituído de um grande número de retículo endoplasmático rugoso e complexo de golgi, responsáveis por produzir proteínas e adicionar glicose a elas, respectivamente.

Sistema Respiratório

As células caliciformes estão presentes ao longo de todo o epitélio do tubo respiratório. Não obstante, o epitélio respiratório da cavidade nasal e os epitélios da nasofaringe, laringe, traqueia e árvore brônquica é classificado como epitélio pseudoestratificado ciliar com células caliciformes.

Essa configuração epitelial é o que permite a filtragem do ar nesse tubo, de forma que, o muco liberado na superfície adere as partículas que estão presentes no ar e os cílios movimentam-se em direção a cavidade nasal, onde o muco com o substrato aderido é eliminado.

Sistema Digestório

No tubo gastrointestinal (TGI) as células caliciformes estão presentes no intestino delgado, no intestino grosso, no apêndice e no reto. Elas estão presentes também nos ductos pancreáticos.

No intestino delgado as células caliciformes lubrificam a luz intestinal. Já no intestino grosso, elas são muito numerosas e o muco auxilia na compactação do bolo fecal e em seu deslizamento.

Devido a abrasão a qual o epitélio intestinal está submetida pela passagem dos alimentos, pela liberação de enzimas e pelas variações de pH, as células caliciformes sobrevivem dois a quatro dias e desempenham um ou dois ciclos de secreção.

O revestimento do esôfago não contém células caliciformes. Quando elas estão presentes, é um sinal de metaplasia comum no Esôfago de Barrett, ocasionada pela exposição ao ácido gástrico por muito tempo em casos de refluxo gastroesofágico.

Também não há a presença de células caliciformes no estômago, apesar dele possuir um epitélio muco secretor, que o protege dos efeitos corrosivos do suco gástrico.

Olho

As células caliciformes estão presentes na conjuntiva, a membrana fina e transparente que reveste internamente a pálpebra e a esclera (parte branca do olho). Nessa região, o muco produzido e liberado por essas células, forma a parte mais interna do filme lacrimal, o qual permite o movimento do globo ocular e o deslizamento das pálpebras sobre sua parte anterior, de forma que impede o atrito nesse processo.

Elas constituem 10% das células epiteliais da conjuntiva e o muco relaciona-se com o glicocálix desse epitélio. Isso facilita a distribuição e manutenção da camada aquosa na superfície da córnea. No entanto, no limbo e na córnea as células caliciformes não estão presentes e quando são observadas nessas regiões relacionam-se a um quadro clínico chamado de conjuntivalização da córnea.

Referências:

BARROS, Jeison de Nadai et al. Avaliação da presença de células caliciformes na córnea humana. Arq. Bras. Oftalmol. São Paulo, v. 67, n. 1, p. 121-125, Fev. 2004.

JUNQUEIRA, L. C. U.; CARNEIRO, J. Histologia Básica. 10 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004.

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