Etologia

Graduada em Ciências Biológicas (USU, 2009)

Etologia é a parte da ciência que estuda o comportamento dos animais (incluindo os seres humanos). Através da analise dos movimentos executados cotidianamente por determinado grupo é possível identificar os ritos de submissão, insubordinação, acasalamento, dominância, liderança e etc. No decorrer desse estudo os biólogos podem analisar, identificar e descrever os movimentos corporais e faciais (nos animais mais desenvolvidos como os hominídeos) para a formação social e o desenvolvimento de uma determinada espécie em seu habitat, compreendendo a correlação existente entre animais da mesma espécie, animais de espécies diferentes e animais com o meio abiótico. O estudo do comportamento dos animais separam as causas de qualquer movimento comportamental em dois grupos: ligadas à atividade dos sistemas de desenvolvimento interno e fisiológico; ligadas a questões sobre valor adaptativo e modificações históricas.

A observação dos comportamentos realizada pelos etólogos são desenvolvidos no habitat em que a espécime determinada para ser analisada encontram-se, poucas vezes serão realizadas em ambientes que o aprisionam (como laboratórios e jardim zoológico) e fora do habitat, pois acredita-se que apenas um estudo no ambiente natural pode evidenciar os comportamentos sociais verdadeiramente. Em cativeiro, os animais tendem a realizar movimentos condicionados, podendo assim, influenciar a interpretação do pesquisador e propiciando o estudo ao erro. Após a interpretação dos resultados é possível verificar que as conclusões são utilizadas por cuidadores de animais em cativeiro, pois podem indicar, por exemplo, se um animal está estressado e permitir ao responsável intervir no comportamento, prevenindo de ritos que prejudique a sobrevivência do animal ou do bando.

A análise do comportamento dos animais é um procedimento tão antigo quanto à própria existência da humanidade, uma vez que nossos ancestrais observavam os movimentos dos demais animais para: conseguir alimento, evitar determinado grupo de alimento, proteger-se de predadores, e mais posteriormente para domesticar e criar alguns grupos de animais para a subsistência, proteção de plantações e rebanhos, gados, bandos e etc..

Charles Darwin foi o primeiro biólogo a realizar e descrever o comportamento dos animais (incluindo o ser humano - livro: A expressão das emoções no homem e nos animais) e considerava que o comportamento expressado atualmente foram um dos influenciadores no processo evolutivo e na seleção natural, assim como, que alguns dos comportamentos visualizados em espécies evoluídas são respostas condicionadas ao vivido por nossos antepassados. Como por exemplo, os bebês que até hoje puxam os cabelos de quem se aproxima por associação ao comportamento de segurar-se em seus pais durante o deslocamento deles.

O estudo da etologia tornou-se atraente para outros setores além da zoologia, chegando a ser utilizada na análise comportamental em humanos. Apesar de ser um estudo tão antigo como o próprio desenvolvido por Darwin, apenas nos séculos XX e XXI é comum ver esse tipo de estudo relacionado às atividades humanas e sendo desenvolvidas por psicólogos, marketing, vendedores e antropólogos. Uma das principais razões para estes especialistas utilizarem a etologia encontra-se na compreensão de comportamentos repetitivos afim de identifica-los e cataloga-los para desenvolver ferramentas que classifiquem, por exemplo, comportamento comum em psicopatas, compreender como desenvolve-se os relacionamentos interpessoais, a orientação para se interessar ou não por determinado objeto, a estruturação da sociedade, o padrão de resposta para determinadas ações e reações, etc.

Referências bibliográficas:

ALCOCK, J. Comportamento Animal – Uma abordagem evolutiva. Artmed, 9ª edição, 2010.

DARWIN, C. A Origem das Espécies. Hemus – Livraria Editora Ltda, São Paulo, SP.

DARWIN, C. A expressão das emoções no homem e nos animais. São Paulo; Companhia das Letras, 2009.

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