Fitofisionomias

Mestre em Ecologia e Recursos Naturais (UFSCAR, 2019)
Bacharel em Ciências Biológicas (UNIFESP, 2015)

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O termo fitofisionomia é utilizado para designar o tipo de vegetação típica em uma região ou local, descrevendo sua aparência geral e características que podem ser normalmente associadas a ela mesmo que ocorra em outro lugar. O estudo das fitofisionomias foi crucial para a definição dos biomas globais, permitindo organizar o conhecimento paisagístico da flora, definir o catalogo de espécies típicas de cada bioma e construir planos de manejo e conservação individualizados para cada fisionomia vegetal.

No Brasil, cada bioma apresenta diversas fitofisionomias típicas que permitem compreender a forma e o tipo de vegetação que ocorre associada a cada local. No Cerrado, por exemplo, existem ao menos seis tipos de fitofisionomias classificadas: o cerrado típico (com árvores de baixo porte e tronco retorcido com arbustos ao redor), o campo sujo (com arbustos esparsos e predomínio de gramíneas de aspecto seco), as matas ripárias (que ocorrem nas margens de rios e são consideradas uma transição entre outras fitofisionomias), o cerradão (uma mistura das espécies de cerrado típico com árvores mais altas e típicas de florestas fechadas) e o cerrado rupestre (típico de regiões rochosas com baixa cobertura arbórea).

A Mata Atlântica, que ocorria por todo o litoral do Brasil antes da chegada dos europeus, hoje está restrita a regiões de difícil ocupação (como serras) e reservas ecológicas. É composta por uma grande mistura de fitofisionomias florestais: ombrófila (densa, mista e aberta), estacional (decidual e semidecidual) e zonas de tensão. A fitofisionomia florestal ombrófila é caracterizada por árvores e plantas de folhas largas bem adaptadas a alta umidade. Suas subcategorias se relacionam com a abundancia e densidade de vegetação, tornando a floresta de difícil acesso (densa), de fácil acesso com clareiras e maior distância entre árvores (aberta) e uma situação intermediaria entre estas (mista). As florestas estacionais, comuns nas serras, têm como característica principal a presença de espécies vegetais que se adaptaram a períodos marcados de seca no qual uma parte (semi) ou quase a metade (decidual) de toda a vegetação perde a folhagem no período de estiagem, que comumente ocorre no inverno. As zonas de tensão são definidas como as bordas das florestas em que há contato com a fitofisionomia de outros biomas, resultando em uma mata pouco característica que apresenta mistura de espécies de diferentes biomas.

O bioma Amazônico apresenta fitofisionomias similares a mata Atlântica (floresta ombrófilas densas, mistas e abertas), com grandes áreas de mata ripária formando florestas de várzea e florestas secundárias, definidas pela ocorrência de espécies de replantio que podem estar em diferentes estágios de sucessão ecológica e que não possuem a mesma dinâmica que uma floresta primaria (com espécies vegetais bem desenvolvidas e já em equilíbrio ecológico).

A Caatinga, bioma exclusivo do Brasil que ocorre majoritariamente no Nordeste, possui algumas fitofisionomias particulares, como a mata seca, com árvores medianas e esparsas que crescem em encostas, a caatinga arbustiva e a arbórea, que diferem na composição menor e maior de espécies arbóreas de grande porte, respectivamente. Os pampas, que ocorrem na região Sul do país, são formados majoritariamente por duas fitofisionomias: campos limpos (ocorrência apenas de gramíneas, sem espécies arbustivas) e sujos.

No Pantanal, bioma localizado na região Centro-Oeste do Brasil e também na Bolívia e no Paraguai, encontramos as fitofisionomias de cerrado típico, cerradão e grandes áreas de mata inundável. Na zona costeira há outra fitofisionomia adaptada ao contato constante com a água: o manguezal. Caracterizado por espécies vegetais arbóreas e arbustivas, a flora do mangue apresenta adaptações morfológicas ao efeito das marés e a presença de água salgada, como as raízes aéreas.

Referências:

Nunes, G.M., Souza Filho, C.D. and Ferreira, L.G., 2012. Discriminação de fitofisionomias na Amazônia central por meio de índices de vegetação de imagens com resolução espacial moderada. Revista Geografica Acadêmica6, pp.05-14.

Moreno, M.I.C. and Cardoso, E., 2008. Fatores edáficos influenciando na estrutura de fitofisionomias do Cerrado. Caminhos de Geografia9(25).

Thoen, I.U., 2009. Mapeamento de fitofisionomias do Bioma Mata Atlântica no município de Nova Petrópolis-RS.

Marimon, B.S. and Lima, E.D.S., 2001. Caracterização fitofisionômica e levantamento florístico preliminar no pantanal dos rios Mortes-Araguaia, Cocalinho, Mato Grosso, Brasil. Acta Botanica Brasilica15, pp.213-229.

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