Mofo e bolor

Doutorado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica-SP, 2012)
Mestrado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica-SP, 2007)
Graduação em Ciências Biológicas (Universidade de Guarulhos, 2003)

Mofos e bolores são termos populares para indicar fungos que surgem sobre alimentos, com aparência cotonosa (aspecto aveludado) e colorações variadas. Muitos representantes pertencem aos ascomicetos, principalmente à sua fase assexuada reconhecida como fungos anamórficos. Aparecem com colorações esbranquiçadas, esverdeadas, alaranjadas, entre muitas outras (figura 1). Há o popular mofo preto do pão, que também aparece sobre frutas e pertence ao grupo dos Mucoromycotina e afins (antigamente como Zygomycota, ou zigomicetos) (figura 2).

Figura 1. Fungos (mofo e bolor) crescendo sobre frutos. Fotos: Shidlovski (esq.), Papavarin Karnjanaranya (dir.) / Shutterstock.com

Os fungos produzem um aparato de substâncias referidas como metabólitos secundários e, dentre estas substâncias estão às enzimas que auxiliam na decomposição. Quando sapróbios degradam matéria orgânica e muitas vezes aparecem decompondo compostos complexos como, inseticidas, pesticidas, entre outros. São heterótrofos e se nutrem por absorção após lançarem as enzimas no ambiente, que degradam o substrato e absorvem os nutrientes pela parede celular das hifas. As hifas são as células típicas dos fungos e o conjunto origina o micélio. Os fungos não formam um tecido como plantas ou animais e sim estruturas visíveis a olho nu, como os cogumelos, orelhas de pau e até mesmo alguns mofos e bolores. Estas estruturas são de reprodução, se originaram a partir da diferenciação celular do micélio e possuem nomes específicos, como basidiomas, ascomas e conidiomas. Contudo, a maioria das estruturas é observada ao microscópio óptico (ou de luz) e com maior riqueza de detalhes ao microscópio eletrônico. Observam-se esporos, conídios e estruturas que os produzem como esporangióforos, conidióforos, células conidiogênicas, etc.

Os esporos são as principais estruturas de reprodução dos fungos e para aqueles que representam mofos e bolores, há grande produção e dispersão. Na maioria das vezes a coloração do micélio sobre o alimento representa o conjunto de esporos. Para o mofo preto do pão, a coloração enegrecida representa os esporos no interior de esporângios (figura 2).

Figura 2. Pão contendo fungo (mofo preto do pão) acima e Rhizopus sp. Imagem de microscopia abaixo. Fotos: pawatfreeman2 (sup.), MyFavoriteTime (inf.) / Shutterstock.com

Importância dos mofos e bolores

Como mencionado anteriormente, os fungos que representam mofos e bolores pertencem ao grupo dos ascomicetos, em especial a fase assexuada (os fungos anamórficos) e aqueles em Mucoromycotina (ainda sem menção aportuguesada). Estes fungos possuem grande aplicação em setores alimentícios, farmacêuticos, biorremediação, controle biológico, entre outros. Além da importância para o ambiente, pois degradam matéria orgânica retornando nutrientes e minerais importantes a outros seres vivos, principalmente aos vegetais.

O gênero Penicillium, um fungo anamórfico, ficou bastante conhecido após a descoberta da penicilina 1928, pelo escocês, médico e professor, Alexander Fleming. Outras espécies do gênero aliadas a bactérias auxiliam na preparação e maturação de queijos, como o Brie e Camemberti, produzido por Penicillium camemberti.

Espécies de Mucor (Mucoromycotina) são grandes produtores de compostos utilizados em indústrias, dentre eles pode-se mencionar o etanol, ácido cítrico, amilases, glicerina, ácidos láticos, fumárico, succínico e oxálico. O ácido lático é utilizado como acidificante de embutidos e doces; o ácido cítrico serve para fins medicinais e flavorizantes de bebidas e geleias.

Bibliografia recomendada:

http://tolweb.org/tree/ (consultado em junho de 2018)

Hibbett, D.S. et al. 2007. A higher-level phylogenetic classification of the Fungi. Mycological Research 111: 509-547.

Evert, R.F. & Eichhirn, S.E. 2014. Raven/ Biologia Vegetal. 8ª edição, Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 856p.

Terçaroli, G.R., Paleari, L.M. & Bagagli, E.2010. O incrível mundo dos fungos. São Paulo, Ed. Unesp, 125p.

Bononi, V.L. (org.) 1998. Zigomicetos, Basidiomicetos e Deuteromicetos. São Paulo: Instituto de Botânica, Secretaria de Estado do Meio Ambiente, 181p.

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