Plantas exclusivas da Amazônia

Mestrado em Ciências Biológicas (INPA, 2015)
Graduação em Ciências Biológicas (UFAC, 2013)

A Amazônia se destaca por abrigar a maior bacia hidrográfica do planeta em volume e extensão. Também é a maior floresta tropical do mundo e o maior bioma brasileiro. Grande parte de seu território está no Brasil, mas também se estende para outros países da América do Sul como Peru, Bolívia, Equador, Colômbia, Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa. Apesar de grande parte da floresta estar sendo devastada dia após dia, os números com relação a sua riqueza e biodiversidade impressionam.

Com grande riqueza territorial e diversidade biológica, a Amazônia concentra a maior diversidade de plantas do mundo, destacando enorme quantidade de plantas endêmicas. Um levantamento amplo sobre a diversidade de plantas, algas e fungos do Brasil foi realizado por uma equipe de 575 botânicos brasileiros e mais 14 de outros países. Em um esforço conjunto realizado em sete anos de trabalho, 46.097 espécies de plantas foram catalogadas. O número de plantas que são exclusivas (endêmica) do território nacional impressiona pois é quase metade, sendo 43% do total.

Essas estatísticas colocam o Brasil como o pais com a maior riqueza de plantas encontrada até agora. Hoje, esse número soma 46.853 espécies para a flora brasileira, sendo 4.774 de algas, 33.387 de angiospermas, 1572 de briófitas, 5720 de fungos, 30 de gimnospermas e 1.370 de samambaias e licófitas. Continuamente novas espécies são identificadas e descritas em revistas científicas com cerca de 250 espécies novas descritas por botânicos a cada ano. O Brasil, com os seus quase 50 mil exemplares de espécies de plantas nativas está no ranking de países mais diversos, seguido por China, Indonésia, México e África do Sul. Em número de espécies endêmicas o Brasil perde apenas para grandes ilhas como Austrália, Madagascar e Papua Nova Guiné e isto é favorecido pelo isolamento geográfico o qual proporciona condições para a formação de variedades únicas.

Esforços de catalogação como estes foram realizados no passado por botânicos naturalistas que publicaram a pioneira obra Flora brasiliensis, com 15 volumes e mais de 10.000 páginas que foram escritas por 65 botânicos de vários países sob a coordenação de Carl Friedrich Philipp von Martius, August Wilhelm Eichler e Ignatz Urban, publicada entre 1840 a 1906. Nesta obra, o grupo predominante foram as angiospermas com 32.813 espécies de plantas que possuem sementes protegidas pelo fruto. As espécies diferem imensamente também quanto à sua abundância nos diferentes ambientes onde elas são encontradas. Por possuir características distintas de clima, solo e água, muitas espécies só sobrevivem em locais específicos e não são encontradas em nenhum outro lugar. Apesar os esforços dos naturalistas e botânicos serem notáveis, através dos séculos, o esforço das coletas como um todo no país gera controvérsias.

Existem muito mais informações sobre as regiões sul e sudeste, onde são os locais com maior concentração de coletas. Por exemplo, no Rio de Janeiro havia 5,8 coletas por quilômetro quadrado (km2), já no Espirito Santo, 3,9 por km2. Na região norte, os estados do Pará e Amazonas a relação não chegou a 0,10 e 0,17 por km2. Segundo cálculos realizados, é estimado que só no estado do Amazonas existam pelo menos ainda mais 20 mil espécies esperando para serem descobertas, identificadas e catalogadas para a flora do Brasil. As áreas de endemismo deveriam ser consideradas como unidade geográfica básica para o planejamento e implementação de unidades de conservação, corredores ecológicos de biodiversidade que podem promover ampla conectividade tanto no interior como nas bordas de áreas de endemismos.

O objetivo seria criar mosaicos amplos e resilientes que fossem o bastante para amenizar mudanças globais, acomodar melhores condições no padrão de vida das populações tradicionais locais, conservar a biodiversidade, além de garantir os serviços ecológicos que os rios e as florestas fornecem para a estabilidade do clima mundial.

Referências bibliográficas:

https://www.pensamentoverde.com.br/meio-ambiente/conheca-especies-endemicas-da-amazonia-brasileira/

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FAPESP. Ciência e ecologia. Pesquisa FAPESP 241, pág. 47.